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Três desafios para um balanço
por Viriato Soromenho-Marques, Coordenador do Programa Gulbenkian Ambiente

"Está a aproximar-se do seu termo o período de cinco anos de existência (2007-2011) com que foi concebido o Programa Gulbenkian Ambiente (PGA). Para quem, como é o caso do autor destas linhas, desenhou e acompanhou a execução das centenas de iniciativas, envolvendo milhares de pessoas, que desde Fevereiro de 2007 deram rosto ao PGA, a hora é de um balanço, onde, inevitavelmente, se combinam factos objectivos e juízos subjectivos.

O primeiro desafio que o PGA procurou assumir foi o de se elevar à altura da complexidade da crise global do ambiente como problema decisivo da humanidade. A dimensão científica constituiu uma opção estruturante, quer no lançamento de concursos de investigação, em domínios tão diversos como o binómio ambiente-saúde, alterações climáticas ou mobilidade sustentável, assim como na qualidade com que foram organizadas as dezenas de conferências, colóquios, publicações. A representação do ambiente não se esgota na ciência, e por isso a literatura, a comunicação social e a expressão artística não foram descuradas. Também nenhum assunto foi esquecido, do clima e energia à biodiversidade e gestão de resíduos, da água doce aos grandes oceanos e zonas costeiras, da poluição do ar às doenças com etiologia ambiental e ao ordenamento do território, não esquecendo o estudo dos grandes clássicos da cultura ambiental.

O segundo desafio, traduziu-se no espírito de parceria e cooperação que a própria natureza dos problemas ambientais exige. O PGA estabeleceu parcerias internacionais, nacionais e domésticas. A maioria dos serviços da FCG foi convidada a participar nalgum tipo de acção do PGA. Entre os parceiros internacionais, devem destacar-se o JRC e a própria Comissão Europeia, a Agência Europeia do Ambiente, a rede europeia de conselhos EEAC, a European Climate Foundation (ECF), a Embaixada dos EUA, o TERI (Índia), o WWF. Nos parceiros nacionais, salientam-se o Oceanário de Lisboa, a Cinemateca Portuguesa, a RTP, a Academia de Ciências de Lisboa, o Instituto Camões e numerosas ONG nacionais. O horizonte geográfico da actuação do PGA foi verdadeiramente planetário. Discutimos alterações climáticas em Paris e Copenhaga, ajudámos a conservar a biodiversidade na Arménia e em Moçambique, contribuímos para o estudo do impacto das alterações climáticas no permafrost da Antárctida Ocidental, apoiámos uma estratégia de sustentabilidade para o Estado de Goa, na Índia, avaliámos a situação dos recursos hídricos mundiais através do think tank sobre “A Água e o Futuro da Humanidade”.

O terceiro desafio foi o de ser capaz de realizar com propósito, em conjunto, e de modo diversificado. Fazer, mas sobretudo dar a fazer. O concurso AGIR permitiu que cerca de quarenta projectos, mobilizando centenas de colaboradores, pudessem ser concretizados. Promoveram-se as mais diversas iniciativas, desde ciclos de colóquios temáticos, um ciclo de cinema, concursos científicos, inúmeras conferências internacionais onde participaram personalidades de grande relevo intelectual, uma série televisiva, Futuro Comum, apresentada por Fernanda Freitas, criou-se a colecção Gulbenkian Ambiente, para obras literárias com valor e espírito de inovação, editaram-se DVD, apoiaram-se bolseiros no estrangeiro, contribuiu-se para a criação de um novo curso de doutoramento em alterações climáticas, promoveu-se o diálogo intergeracional, entre muitas outras iniciativas."

Lisboa, Novembro de 2011.


Criado em 2007, o Programa Gulbenkian Ambiente estruturou-se em torno de três grandes domínios temáticos:


Que foram postos em prática através de uma ‘trilogia’ de instrumentos:


O Programa Gulbenkian Ambiente contou com um Conselho Consultivo e com parcerias estabelecidas com instituições internacionais.



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Quarta, 7 Dez 2011
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Aud. 3
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