
Mais de 150 crianças, de várias idades, vão subir ao palco do Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian, no dia 8 de Julho. Vêm de vários bairros na Amadora, quase todos de realojamento social, e fazem parte do projecto das Orquestras Geração, apoiado pela Fundação e outras entidades. Às 18h, num concerto com entrada livre, vão poder ouvir-se os violinos, sopros e percussões, acompanhados pelas vozes do Coro Geração, naquele que será o terceiro Concerto de Verão destas Orquestras nos jardins da Fundação.
O projecto das Orquestras Juvenis Geração é inspirado no Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela (El Sistema) e foi introduzido em Portugal em 2007,
no quadro do Projecto Geração (Casal da Boba, Amadora), através dos esforços conjuntos da Fundação Gulbenkian, da Escola de Música do Conservatório Nacional e da Câmara
Municipal da Amadora. Trata-se de um método inovador de combate ao insucesso escolar, que utiliza o ensino da música para a integração de crianças do 1º ao 8º ano de escolaridade, que desta forma desenvolvem a autoconfiança e o conhecimento necessários a um crescimento equilibrado, substituindo um possível percurso de abandono escolar e marginalidade por um percurso promissor e de criação de oportunidades.
O sucesso da Orquestra do Casal da Boba levou à multiplicação desta iniciativa por várias escolas da Área Metropolitana de Lisboa, nos concelhos de Vila Franca de Xira, Loures, Oeiras, Sesimbra e Sintra. O projecto está a ser alargado para fora da Grande Lisboa, com a formação de uma Orquestra em Amarante, estando também para breve a criação de uma outra em Mirandela. A intenção é expandir o projecto por todo o país.
As Orquestras Geração apresentaram-se a público pela primeira vez em 2008, no Teatro São Luiz, Lisboa, e desde essa altura têm actuado em diversas salas de espectáculos do país. Em Outubro de 2009, a Orquestra do Casal da Boba atravessou pela primeira vez a fronteira: foi convidada para tocar o Hino à Alegria perante a Comissão Europeia, em Bruxelas. Em Maio, reuniram-se todas as Orquestras já formadas para um grande concerto na Aula Magna. A sala esgotou e o palco foi pequeno demais para albergar as quinhentas crianças e os seus instrumentos, tendo-se espalhado os pequenos músicos por outros espaços da sala. Foi o primeiro concerto que contou com a participação de alunos de todas as escolas já abrangidas pelo projecto.
Este conceito de Orquestra tem sido um agente mobilizador nas comunidades onde se insere e já permitiu identificar casos reais de talento entre os alunos, estando agora dez deles a frequentar as aulas do Conservatório Nacional.