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Recortes de Imprensa



Oito jovens cientistas ganham bolsa da Fundação Gulbenkian

2012-02-07 12:02:00

Oito jovens cientistas ganham bolsa da Fundação Gulbenkian

Os novos rostos da investigação

Fundação Gulbenkian premeia oito jovens cientistas

ANA GASPAR

A curiosidade e o gosto por aprender levaram Ana Bastos e Noel Moreira a seguirem o caminho da ciência. Os jovens são dois dos oito investigadores ontem premiados pela Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do Programa de Estímulo à Investigação.

A vegetação limpa de um quarto o dióxido de carbono produzido pelos seres humanos. Saber se no futuro, as plantas vão continuar a desempenhar esse papel, "ou, por outro lado, agravá-lo" é o ponto de partida do trabalho de Ana Bastos, de 25 anos. Natural do Porto, é aluna de doutoramento e desenvolve a sua investigação no Instituto D. Luiz (da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). "Sempre gostei da temática. E foi mais ou menos natural o caminho até aqui", contou.

O Programa de Estímulo à Investigação destina-se a licenciados com idade inferior a 26 anos que não tenham ainda obtido o grau de doutor, e que exerçam trabalho em instituições portuguesas. O prémio entregue este ano, referente a 2011, tem o valor de 12500 euros. Dez mil para a instituição, 2500 para a investigação.

"Grande parte dos centros de investigação têm dificuldade em autofinanciar-se. Este prémio é importante para que os trabalhos se possam realizar", sublinhou Noel Moreira, de 24 anos. Natural de Torres Vedras, o geólogo é doutorando no Centro de Geofísica da Universidade de Évora, onde estuda a zona de cisalhamento de Tomar-Badajoz-Córdova. Placas tectónicas que não estão activas, mas que há 500 ou 300 milhões de anos "tinham uma actividade tão sísmica como actualmente o Japão ou o Chile".

"Estes jovens são o espelho de tudo o que vai bem na ciência portuguesa", frisou Miguel Seabra, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, em representação da tutela. Diana Freire, Cláudia Ferreirinha, Tomás Aquino, João Silva, Andreia Mordido, Jocelyn Lochon, foram os restantes investigadores distinguidos. ¦



Contratenor Andreas Scholl na Gulbenkian

2012-02-07 12:02:00

CONCERTO

Contratenor Andreas Scholl na Gulbenkian

O Grande Auditório da Gulbenkian recebe hoje, pelas 21.00, o contratenor Andreas Scholl, num programa integralmente dedicado à música de Bach e durante o qual será acompanhado pela Kammerorchester Basel, dirigida pela mães trina Julia Schröder. Scholl, que tem uma relação particular com o compositor - recorda como momento marcante da sua vida o entusiasmo com que, quando tinha nove anos, cantou numa Paixão segundo S. João -, acaba de lançar um disco com cantatas de Bach (ed.Decca Classics), no qual regista duas das obras que apresentará hoje em Lisboa: Ich habe genug, BWV82 e Got soll allein mein Herze haben, BWV169. Ao DN, Andreas Scholl explicou que é importante para o cantor a compreensão do contexto em que estas obras surgiram."É essencial sentir esse contexto religioso. Temos de saber do que falamos." Nascemos "numa tradição em que tudo isto tem um significado para as nossas vidas", sublinha, concluindo que se conseguir ligar essa relação à música, eventualmente quem ouve "reconhecerá que está ali alguém que acredita no que canta". N. G.



Goran Bregovic hoje em Lisboa

2012-02-06 12:02:00

CONCERTO

Goran Bregovic hoje em Lisboa

O músico sérvio Goran Bregovic e a Orquestra de Casamentos e Funerais actuam hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com um espectáculo que contará com a participação da actriz Ana Moreira. Goran Bregovic regressa a Portugal e apresenta o espetáculo-concerto "Margot, memórias de uma rainha infeliz", descrito como uma récita com acompanhamento musical.



Goran Bregovic. A Guerra da Bósnia chegou à Gulbenkian

2012-02-06 12:02:00

Goran Bregovic. A Guerra da Bósnia chegou à Gulbenkian

O músico sérvio-bósnio apresenta hoje às 21h um espectáculo que recorda a guerra e as memórias da rainha Margot

Quando se pensa num concerto de Goran Bregovic é difícil não imaginar uma multidão aos pulos a cantar músicas célebres dos filmes de Emir Kusturica, como "Kalashnikov" ou "Pit Bull Terrier", e a fazer coreografias parvas. Mas desta vez o músico e compositor sérvio-bósnio não vem a nenhum festival onde há espaço para dançar e entornar cerveja - a última vez que esteve em Portugal, em 2010, foi no Festival Med, em Loulé. Agora, a sala de espectáculos é improvável para um concerto de Bregovic e da sua Orquestra de Casamentos e Funerais: o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. O concerto de hoje à noite será um pouco diferente daquilo a que Bregovic nos habituou e até terá a participação da actriz portuguesa Ana Moreira.

Bregovic, que se tornou conhecido por ser líder da banda Bijelo Dugme e por compor bandas sonoras para filmes de Kusturica, vem a Lisboa apresentar "Margot, Memórias de Uma Rainha Infeliz". O espectáculo/concerto remete para o para o filme "La Reine Margot", realizado por Patrice Chéreau em 1994, para o qual Bregovic também compôs a banda sonora.

O espectáculo começou por ser uma encomenda para o festival de música Saint Denis, que acontece anualmente na basílica parisiense com o mesmo nome, mas Bregovic acabou por apresentá-lo noutros países. A história, inspirada nas memórias da rainha Margot, primeira mulher de Henrique IV, evoca as guerras religiosas do século XVI e cruza-se com a de uma rapariga em plena Guerra da Bósnia, no século XX. "A época da rainha Margot ficou marcada pela terrível guerra entre protestantes e católicos e o que aconteceu em França no século XVI aconteceu no meu país [Sarajevo] no século 20", explicou Bregovic a ao site do centro de artes britânico Barbican. "É uma história moderna mas que pertence a todos os tempos porque as guerras religiosas existem desde que a religião começou. Há movimentos históricos, há grande heróis... mas, no final, é sempre uma tragédia, que acaba com as vidas de homens e mulheres."

Foi o próprio Bregovic quem escreveu o monólogo que será interpretado por Ana Moreira - em cada país é escolhida uma actriz local. A actriz interpreta o papel de uma jovem viúva de vinte e poucos anos, que perdeu o marido na guerra pouco depois de casar. A história é acompanhada pela guitarra eléctrica de Bregovic e pelo tradicional folk das Balcãs. A orquestra com a qual o músico anda em digressão pelo mundo há mais de uma década inclui uma banda de metais ciganos, duas cantoras búlgaras, um sexteto de vozes masculinas e um quarteto de cordas.

O espectáculo faz parte da programação do segundo ciclo de Músicas do Mundo da Gulbenkian. Os próximos concertos serão os da belga Natacha Atlas (a 26 deste mês), da grega Angélique Ionatos (a 24 de Março) e um espectáculo de homenagem ao poeta persa Omar Khayyam com o iraniano Alireza Ghorbani e a tunisina Dorsaf Hamdani (a 9 de Abril).



FERNANDO PESSOA

2012-02-04 12:02:00

FERNANDO PESSOA

Exposição sobre a obra do poeta na Gulbenkían

A inauguração da mostra "Fernando Pessoa: Plural Como o Universo" está marcada para sexta-feira. A Fundação Calouste Gulbenkian abre as portas ao maior poeta português e aos seus heterónimos. A multiplicidade da obra de Pessoa estará refletida numa viagem sensorial ao seu universo, de forma a que o visitante leia, veja, sinta e oiça a materialidade das suas palavras. A exposição mostra poemas, textos, documentos, fotografias e pinturas e inclui raridades como a primeira edição do livro "Mensagem", com uma dedicatória escrita por Pessoa.



Música das esferas

2012-02-04 12:02:00

Música das esferas

Há maestros que compõem e compositores que dirigem. Thomas Adès (n. 1971) encaixa brilhantemente na segunda categoria: os três concertos que dirigiu em Lisboa distinguiram-se tanto pela revelação das obras próprias como pela leitura das peças de outrem. Por outro lado, Adès é magistral na programação. Não foi por acaso que a Pastoral de Beethoven antecedeu os sete dias (da Criação) do seu concerto para piano ou que a instabilidade alucinogénica da "Symphonie fantastique" de Berlioz (que também tem as suas ligações campestres à Pastoral) sè tenha seguido à rave de "Asyla". As interpretações das partituras alheias foram reveladoras — um Beethoven mais interessado em mostrar de onde vem (Haydn) do que para onde vai (isto é, mais próximo da conceção dum Harnoncourt do que dum Furtwängler) e um Berlioz caleidoscópico. Infelizmente perdi o primeiro concerto com a excelente Chamber Orchestra of Europe, onde a "Sinfonia n° 6" de Sibelius teve, dizem-me, uma execução convincentemente onírica. O segredo da direção adesiana está na frescura, transparência e atenção às cores tímbricas: ouvem-se coisas que nunca se ouviram. Adès no pódio é uma espécie de fonte de raios X a radiografar a música. Tal como Berlioz, Adès tem as suas 'ideias fixas': o uso generoso da percussão, as camadas harmónicas concêntricas (que sugerem as simetrias das orbitais atómicas), a densidade tímbrica e as extravagantes sonoridades contemporâneas, os ritmos de dança.

A imaginação é fortemente visual, condicionada por poios atratores (notas) capazes de criar linhas de força (musicais) que lembram os campos eletromagnéticos de Faraday, materializados com a limalha de ferro. Os monumentais "Asyla" (1997), para grande orquestra e seis percussionistas — galharda execução da Orquestra Gulbenkian —, soam, mesmo assim, bastante transparentes, com laivos melódicos fugidios à laia de "La valse", de Ravel (outro admirador de Couperin), e um ostinato, no fim do III andamento ('Ecstasio'), que lembra o "Sacre" e deixou o público suspenso. "Polaris" (2011), uma coencomenda da Gulbenkian em três secções (como o sistema estelar triplo que lhe serve de inspiração), começa no piano e estende-se aos tímpanos, trompetes e toda uma orquestra de mil sóis numa infinda música das esferas. Que volte depressa! J.C.


Nove portugueses premiados na Ciência

2012-02-05 12:02:00

FUNDAÇÃO GULBENKIAN

Nove portugueses premiados na Ciência

Nove investigadores portugueses foram premiados com um apoio do Serviço de Ciência da Fundação Gulbenkian, ao abrigo do Programa de Estímulo à Investigação e do Programa para a Internacionalização das Ciências Sociais em Portugal.

As distinções serão entregues amanhã, numa cerimónia que contará com a presença do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato.



Nove investigadores portugueses premiados pela Gulbenkian

2012-02-04 12:02:00

Nove investigadores portugueses premiados pela Gulbenkian

Programa tem por objectivo incentivar a publicação em revistas internacionais de referência

Nove investigadores portugueses foram premiados com um apoio do Serviço de Ciência da Fundação Gulbenkian, ao abrigo do Programa de Estímulo à Investigação e do Programa para a Internacionalização das Ciências Sociais em Portugal.

As distinções serão entregues segunda-feira, numa cerimónia que se realiza na Fundação Calouste Gulbenkian e conta com a presença do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato.

O Programa de Estímulo à Investigação foi criado para estimular a criatividade e a qualidade na actividade de investigação científica.

Todos os anos são distinguidas as propostas de investigação de «elevado potencial criativo em áreas científicas, no âmbito das disciplinas básicas: Matemática, Física, Química e Ciências da Terra e do Espaço», segundo a Gulbenkian.

Este ano, o prémio na área da Química vai ser atribuído a Diana Mendes Freire, do Laboratório Associado REQUIMTE, da Universidade Nova de Lisboa, e a Cláudia Alexandra Guindeira Ferreirinha, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, da Universidade do Porto (UP).

Na Física, a Gulbenkian destacou o trabalho «Filodinâmica da gripe A: um modelo simples para um sistema complexo», da autoria de Tomás de Campos Aquino, do Centro de Física da Matéria Condensada da Universidade de Lisboa (UL), e a investigação de João Dias Caetano Silva, do Centro de Física da UP, intitulado «Em busca da solução analítica para a Teoria Padrão N=4 Super Yang-Mills».

A proposta de Andreia Filipa Torcato Mordido, do Instituto de Telecomunicações, sobre «Lógicas para Segurança de Informação», e de Jocelyn Lochon, do Centro de Estruturas Lineares e Combinatórias da UL («Supercaracteres e caminhos aleatórios em p-grupos»), foram escolhidos na área de Matemática.

Na área das Ciências da Terra e do Espaço, uma das vencedoras foi a jovem Ana Filipa Ferreira Bastos, do Instituto Dom Luiz, da UL, com o trabalho sobre «Influência da Variabilidade Climática na Dinâmica da Vegetação e no Ciclo de Carbono na região Euro-Asiática».

O trabalho de Noel Alexandre Fontes Moreira, do Centro de Geofísica de Évora (CGE),da Universidade de Évora («A zona de cisalhamento de Tomar-Badajoz¿Córdova no contexto das suturas variscas ibéricas») também será distinguido na cerimónia de segunda-feira.

Já no que toca ao Programa para a Internacionalização das Ciências Sociais, o prémio vai para Sofia Aboim, pelo artigo «Gender cultures and the division of labour in contemporary Europe: a cross-national perspective», publicado na Sociological Review.

O programa para a internacionalização das ciências sociais foi criado para incentivar a publicação em revistas internacionais de referência, abrangendo disciplinas tão variadas como antropologia, ciências da educação, ciência política, demografia, geografia humana, história, relações internacionais e sociologia.


Nove investigadores portugueses premiados

2012-02-04 12:02:00

Ciência

Nove investigadores portugueses premiados

Nove investigadores portugueses foram premiados com um apoio do Serviço de Ciência da Fundação Gulbenkian, ao abrigo do Programa de Estímulo à Investigação e do Programa para a Internacionalização das Ciências Sociais em Portugal.

As distinções serão entregues segunda-feira, numa cerimónia que se realiza na Fundação Calouste Gulbenkian e conta com a presença do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato.

O Programa de Estímulo à Investigação foi criado para estimular a criatividade e a qualidade na actividade de investigação científica.

Todos os anos são distinguidas as propostas de investigação de "elevado potencial criativo em áreas científicas, no âmbito das disciplinas básicas: Matemática, Física, Química e Ciências da Terra e do Espaço", segundo a Gulbenkian.

Este ano, o prémio na área da Química vai ser atribuído a Diana Mendes Freire, do Laboratório Associado REQUIMTE, da Universidade Nova de Lisboa, e a Cláudia Alexandra Guindeira Ferreirinha, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, da Universidade do Porto (UP).

Na física, a Gulbenkian destacou o trabalho "Filodinâmica da gripe A: um modelo simples para um sistema complexo", da autoria de Tomás de Campos Aquino, do Centro de Física da Matéria Condensada da Universidade de Lisboa (UL), e a investigação de João Dias Caetano Silva, do Centro de Física da UP, intitulado "Em busca da solução analítica para a Teoria Padrão N=4 Super Yang-Mills".

A proposta de Andreia Filipa Torcato Mordido, do Instituto de Telecomunicações, sobre "Lógicas para Segurança de Informação", e de Jocelyn Lochon, do Centro de Estruturas Lineares e Combinatórias da UL ("Supercaracteres e caminhos aleatórios em p-grupos"), foram escolhidos na área de matemática.

Na área das ciências da terra e do espaço, uma das vencedoras foi a jovem Ana Filipa Ferreira Bastos, do Instituto Dom Luiz, da UL, com o trabalho sobre "Influência da Variabilidade Climática na Dinâmica da Vegetação e no Ciclo de Carbono na região Euro-Asiática".

O trabalho de Noel Alexandre Fontes Moreira, do Centro de Geofísica de Évora (CGE),da Universidade de Évora ("A zona de cisalhamento de Tomar-Badajoz--Córdova no contexto das suturas variscas ibéricas") também será distinguido na cerimónia de segunda-feira.

Já no que toca ao Programa para a Internacionalização das Ciências Sociais, o prémio vai para Sofia Aboim, pelo artigo "Gender cultures and the division of labour in contemporary Europe: a cross-national perspective", publicado na Sociological Review.

O programa para a internacionalização das ciências sociais foi criado para incentivar a publicação em revistas internacionais de referência, abrangendo disciplinas tão variadas como antropologia, ciências da educação, ciência política, demografia, geografia humana, história, relações internacionais e sociologia.


Maratona de Anne Teresa De Keersmaeker

2012-02-03 12:02:00

Maratona de Anne Teresa De Keersmaeker

Lisboa recebe, a partir desta sexta-feira, uma retrospectiva do trabalho de uma das maiores coreógrafas da actualidade, a belga Anne Teresa De Keersmaeker. A maratona desta coreógrafa passará pelo Centro Cultural de Belém, Culturgest, Teatro Camões, Maria Matos, São Luiz, Museu do Chiado e Fundação Gulbenkian.

Jornalista: Miguel Coelho


W

2012-02-03 12:02:00

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O espectáculo-concerto do compositor bósnio terá lugar segunda-felra na Gulbenkian. Inicio marcado para as 21hOO.

Música

Bregovic na Gulbenkian

O compositor que ficou conhecido pelas bandas sonoras de alguns filmes de Kusturica vem a Lisboa apresentar um espectáculo que evoca a Rainha Margot, mulher de Henrique IV de França. "Margot, memórias de uma rainha infeliz" é o nome do espectáculo, que conta com a participação de Ana Moreira.

No Porto» os dEUS actuam o Teatro Sá da Bandeira.

Em Lisboa, a Aula Magna é a sala que recebe a banda que desde os anos 90 tem uma legião de devotos ouvintes em Portugal.

Concerto

Porto e Lisboa recebem dEUS

A banda belga estará hoje no Porto e amanhã em Lisboa para tocar "Keep You Close", o último álbum de originais, que saiu para o mercado em Dezembro último. A primeira parte dos dois concertos é assegurada pelos Hong Kong Dong, banda de electro-rock também oriunda da Bélgica.



PESSOA NA GULBENKIAN

2012-02-01 12:02:00

PESSOA NA GULBENKIAN

Depois do sucesso alcançado em São Paulo e no Rio de Janeiro, a exposição «Fernando Pessoa, Plural como o Universo» chega finalmente a Portugal. A partir de 8 de fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, há poemas, textos, documentos inéditos, fotografias e pinturas - entre outros objetos nunca expostos por cá - de Pessoa ortónimo e respetivos heterónimos, para ver e rever até 30 de abril. As potencialidades multimédia não foram esquecidas pelos curadores Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, o que acrescenta à exposição filmes, sons, poemas ditos e a possibilidade de cada visitante escolher o seu percurso no universo labiríntico de Pessoa.



Escola da Diabetes ensina como bem comer

2012-02-02 12:02:00

Escola da Diabetes ensina como bem comer

Projeto Cozinha Dietética lançado hoje pela APDP pretende ensinar os portugueses (e não só os diabéticos) a terem uma alimentação mais saúdavel.

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) lançou hoje o projeto Cozinha Dietética, que tem como objetivo primordial reforçar a importância da alimentação saudável na vida dos portugueses.

"Educar para uma alimentação correta é uma forma importante para contribuir para uma melhoria da qualidade de vida da pessoa diabética e não diabética", esclarece ao Expresso Luís Gardete Correia, presidente da APDP.

Com o apoio do Museu do Pão e da Fundação Calouste Gulbenkian, o projeto vai decorrer na Escola da Diabetes e consiste em cursos teóricos e práticos dirigidos a todas as pessoas.Para as aulas práticas, a APDP conta com a colaboração da Escola de Hotelaria de Lisboa

Na Escola da Diabetes (novo espaço da APDP), os participantes vão aprender a identificar os alimentos mais saudáveis, a avaliar a porção correta dos alimentos em cada refeição e aprender a confecioná-los da maneira mais apropriada.

Tentar diminuir número de diabéticos

"A Cozinha Dietética é um projeto que vem dar continuidade ao trabalho de Ernesto Roma, fundador da APDP, que desde cedo promoveu o estudo da nutrição e dos alimentos", diz Luís Gardete Correia, que relembra que em Portugal o número de pessoas obesas e diabéticas "é enorme". O total de diabéticos portugueses aproxima-se de um milhão.

"Projetos de educação para a saúde como este vão contribuir para que daqui a uns anos esse número possa ser menor", acredita o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

Palavras-chave
diabetes, alimentação, apdp, Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, cozinha dietética, diabéticos


Exposição Darwin: Gulbenkian esclarece

2012-02-01 12:02:00

Exposição Darwin: Gulbenkian esclarece

Em referência ao artigo publicado na edição de segunda-feira no Jornal PÚBLICO, que V. Exª dirige, a respeito da mostra sobre Darwin, a Fundação Calouste Gulbenkian quer esclarecer o seguinte. A Fundação Calouste Gulbenkian e a Câmara Municipal de Oeiras fizeram um acordo, por ocasião da Exposição Darwin, pelo qual a câmara pagaria 500.000 euros para financiar a exposição. Esse pagamento deveria ser feito em 2 prestações, estando a última prevista para 12/12/2008. A Câmara nunca cumpriu as datas de pagamento, e ainda não pagou a totalidade da última prestação, estando portanto em claro incumprimento do contrato. A Fundação Calouste Gulbenkian tem escolhido até agora não accionar judicialmente a Câmara como era seu direito, e espera que a Câmara repare esta falta para não se ver forçada a fazê-lo no futuro. O material que integrava a exposição, e que fosse pertença da Fundação, por aquisição ou desenvolvido pela própria Fundação, seria no fim da exposição e das suas itinerâncias entregue a Câmara, para constituir o núcleo do Museu de Ciência que a Câmara planeava criar. Apesar do incumprimento da Câmara a Fundação fez a entrega desse material, incluindo peças de enorme valor museológico e patrimonial que não estavam inicialmente previstas no plano da exposição.

A possibilidade de utilizar o espólio de uma exposição como esta para uma finalidade permanente, como um Museu de Ciência, é obviamente de não perder. A Fundação continua disponível para colaborar na realização do projeto do Museu.

Diogo de Lucena Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian



Goran Bregovic volta a Lisboa

2012-01-31 12:01:00

Goran Bregovic volta a Lisboa

MÚSICA. Goran Bregovic e a sua Orquestra de Casamentos e Funerais apresentam "Margot, memórias de uma Rainha infeliz", no próximo dia 6 de fevereiro, às 21h00, no Grande Auditório Gulbenkian, em Lisboa.



Fundação Gulbenkian ensina a ver e explicar a arte

2012-01-29 12:01:00

LISBOA

Fundação Gulbenkian ensina a ver e explicar a arte

A Fundação Gulbenkian, em Lisboa, promove uma acção de sensibilização para guias, tradutores, intérpretes, estudantes e público em geral de iniciação às colecções do seu Museu (Arte Oriental e Arte Europeia). As sessões decorrem até Setembro.

Mais informações em http: //www.descobrir.gulbenkian.pt.



Portugueses ganham bolsa milionária

2012-01-28 12:01:00

Portugueses ganham bolsa milionária

Investigação

Dois portugueses vão receber um total de quatro milhões de euros em bolsas do Conselho Europeu de Investigação para estudar os mecanismos de destruição dos tecidos e a correspondência do Tribunal de Inquisição.

Miguel Soares e Rita Marquilhas são os únicos investigadores portugueses a ganharem a edição de 2011 do concurso que atribui as maiores bolsas da Europa, no valor total de 660 milhões. Concorreram 2284 projectos, dos quais. 20 eram portugueses, e vão ser financiados 294.

O trabalho de Miguel Soares no Instituto Gulbenkian de Ciência visa compreender os processos implicados na protecção e na destruição dos tecidos em doenças como a malária e a sepsia grave.

As descobertas deste cientista, que lidera a equipa que pesquisa a área da inflamação, vão agora ser testadas com os dois milhões de euros do Conselho Europeu da Investigação. Espera-se que os resultados apontem pistas para o desenvolvimento de novas e mais eficazes terapêuticas para combater infecções.

A área de interesse de Rita Marquilhas, do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, é da História da Língua. A historiadora está a recolher correio privado português e espanhol, trocado entre o século XVII e século XIX.

Vai receber 1,8 milhões de euros para colocar online milhares de documentos apreendidos pelo Tribunal da Inquisição e pela Casa

da Suplicação. São cartas que serviram como elementos de prova em julgamentos e que foram escritas por pessoas comuns, que utilizavam uma linguagem coloquial bastante diferente da que é empregue nos documentos oficiais.

Também esta semana, cinco cientistas a trabalhar em Portugal foram distinguidos como "futuros líderes científicos nos seus países", por uma das maiores organizações filantropas do Mundo, que lhes concedeu 2,5 milhões de euros para financiar projectos de investigação. Entre 760 candidatos de 18 países, a organização Howard Hughes Medicai Institute distinguiu 28 investigadores, incluindoquatro portugueses e uma americana do Instituto Gulbenkian de Ciência, Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Instituto de Medicina Molecular e Fundação Champalimaud.



Dois cientistas ganharam bolsa europeia para estudar protecção do corpo contra doenças e correio his

2012-01-28 12:01:00

Dois cientistas ganharam bolsa europeia para estudar protecção do corpo contra doenças e correio histórico

O cientista Miguel Soares e a historiadora Rita Marquilhas foram os dois portugueses a ganharem o concurso de 2011 das bolsas atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação, as maiores ao nível europeu. Os dois investigadores recebem ao todo quatro milhões de euros por cinco anos.

Soares, líder do grupo de Inflamação, no Instituto Gulbenkian de Ciência, vai receber 2,2 milhões de euros para determinar quais os mecanismos que impedem a destruição dos órgãos, e são a causa de morte, quando se contrai doenças como a sepsis grave ou a malária.

Nestas doenças, o doente pode acabar por perecer não por causa dos agentes patogénicos, mas pelos danos infligidos nos tecidos e órgãos, causados por toxinas libertadas pelos agentes. Os resultados passados da equipa já deram indicações dos processos que normalmente evitam estes danos. Com o financiamento, a equipa quer testar estas descobertas.

"Proteger os tecidos de serem destruídos durante uma infecção é quase tão importante como combater os agentes patogénicos. Vale a pena tentar identificar de uma maneira global os mecanismos que protegem os tecidos", explicou Soares ao PÚBLICO.

Para isso, a equipa vai utilizar uma série de ratinhos transgénicos, em que se retiraram os mecanismos que se pensa protegerem os órgãos. O objectivo é infectar estes ratinhos para verificar se, de facto, os roedores deixam de ter capacidade de evitar a destruição dos órgãos. Os resultados poderão apontar para novas estratégias terapêuticas contra infecções.

Por seu lado, Rita Marquilhas, do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, está a fazer uma recolha de correio privado português e espanhol entre o século XVII e o início do século XIX. Marquilhas, que ganhou 1,8 milhões de euros, propôs disponibilizar online, com informação contextuai, os facsímiles de 7000 cartas pessoais que foram confiscadas pelo Tribunal da Inquisição e pela Casa da Suplicação, para servirem de prova em julgamentos. "Podem ser dois amantes a trocarem uma carta de amor ou um filho a justificar-se ao pai por um erro que pode ter cometido. Por alguma razão, um desses dois tribunais achou que a carta provava uma culpa", disse ao PÚBLICO.

A equipa da historiadora esteve na Torre do Tombo a folhear processo atrás de processo para encontrar estas cartas, que têm valor para a investigação linguística e histórica.

Ao contrário dos documentos oficiais e literários guardados em arquivos e bibliotecas, as cartas nunca foram pensadas para serem lidas pelo público. Por isso têm uma linguagem muito mais coloquial. "O que é bom nesta documentação é que nos permite aceder a testemunhos que não pertenciam à elite", disse. Como homens acusados de crimes pela Casa da Suplicação ou mulheres acusadas de feitiçaria pela Inquisição.

Rita Marquilhas ficou surpreendida por ganhar a bolsa, que vai servir para reunir uma equipa de 11 investigadores. "É um concurso muito competitivo, é quase uma obrigação concorrer, mas nunca esperava ganhar", disse a historiadora.

Nicolau Ferreira



Os melhores da ciência em Portugal

2012-01-28 12:01:00

Os melhores da ciência em Portugal

PRÉMIOS Rita Marquilhas (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa) e Miguel Soares (Instituto Gulbenkian de Ciência) conquistaram ontem duas bolsas no valor global de €4 milhões do Conselho Europeu de Investigação (ERC), as maiores a nível europeu. Esta foi uma semana especial: desde segunda-feira dez cientistas a trabalhar em Portugal ganharam mais de €6,6 milhões em prémios e bolsas nas áreas das ciências da vida e das ciências sociais e humanidades, foto ana baião

Foi uma semana muito especial para a ciência que é feita em Portugal, uma lufada de ar fresco a contrariar o clima de pessimismo generalizado, com 10 investigadores a serem reconhecidos, a nível internacional ou nacional, como dos melhores e mais promissores nas ciências da vida e na linguística. O destaque vai, sem dúvida, para os ERC Advanced Grants 2011 do Conselho Europeu de Investigação (ERC), que contemplaram os projetos de Miguel Soares (Instituto Gulbenkian de Ciência) com €2,2 milhões e Rita Marquilhas (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa) com €1,8 milhões. Depois, há os quatro portugueses e uma norte-americana a trabalhar em Portugal reconhecidos como "Futuros Líderes Científicos" pelo prestigiado Howard Hughes Medicai Institute (EUA), distinção que atribui um financiamento de 513 mil euros a cada um nos próximos cinco anos. São cinco num grupo de 28 cientistas de 12 países onde a China é a nação mais representada (sete), seguindo-se ex aequo Portugal e Espanha (cinco). A distinção acaba por ser também uma mensagem para o Governo e para a sociedade civil, numa altura de crise e de restrições orçamentais: vale a pena investir na ciência e ter uma estratégia de longo prazo, porque há um retorno desse investimento e um reconhecimento internacional ao mais alto nível. No âmbito nacional, o prémio "Mulheres na Ciência 2011" foi atribuído a três jovens cientistas (€20 mil a cada uma) pela L'Oréal Portugal.

VIRGÍLIO AZEVEDO vazevedo @ expresso.impresa.pt

Investigar os mecanismos subjacentes à capacidade que o corpo humano tem de refrear a extensão dos danos causados por agentes infecciosos (a chamada tolerância à infeção) é o projeto de Miguel Soares, 42 anos, coordenador do grupo de Inflamação do IGC, que acaba por ser contemplado com €2,2 milhões para os próximos cinco anos pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC). O projeto abre caminho ao desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para controlar as manifestações clínicas de diversas doenças infecciosas. "As terapias atualmente disponíveis contribuem para parcos resultados no combate a estas doenças", afirma o cientista, que em 2011 ganhou o Prémio Roche de Reconhecimento em Transplantação de Órgãos.

Portugal brilhou também nas Ciências Sociais e Humanidades nas bolsas do Conselho Europeu de Investigação, com a atribuição de €1,8 milhões ao projeto P.S. (Post Scriptum), que quer criar um arquivo digital da escrita quotidiana em Portugal e Espanha na Época Moderna. O projeto é liderado por Rita Marquilhas, 51 anos, investigadora do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e professora associada da Faculdade de Letras da mesma universidade. A investigadora pretende "descobrir e publicar cartas privadas escritas em português e castelhano e trocadas por pessoas de todas as classes sociais entre o século XVII e o início do século XIX". São documentos inéditos guardados como prova em processos criminais e da Inquisição.

"FUTUROS LIDERES CIENTÍFICOS" DO HOWARD HUGHES MEDICAL INSTITUTE

Saber "que tipo de neurónios estão envolvidos na automatização de certas ações humanas" é uma das áreas de investigação onde o cientista vai aplicar o financiamento do Howard Hughes Institute. O líder do grupo de Neurobiologia da Ação quer também adquirir novos equipamentos "que permitam ver a imagem da atividade neuronal de uma forma mais fina". Rui Costa, um dos promotores do Movimento Ciência Portugal, diz que a distinção ganha pelos cinco portugueses "é a prova de que vale mesmo a pena investir a longo prazo na ciência".

O que leva uma cientista americana a escolher Portugal, depois de ter trabalhado sempre nos EUA? "A Fundação Champalimaud atraiu-me porque gostei da equipa, é um projeto novo e aposta em áreas de investigação inéditas a nível mundial", explica Megan Carey, que dirige o grupo de Circuitos Neuronais e Comportamento.

Com a ajuda do financiamento do Howard Hughes, a investigadora quer fazer mais experiências que levem a entender como a atividade dos circuitos neuronais influencia o nosso comportamento a nível molecular.

Encontrar "uma nova droga terapêutica para combater a doença do sono e as enzimas do parasita que a provoca, e que são essenciais para o mecanismo que este usa quando foge aos anticorpos da pessoa infetada" são as maiores ambições da cientista. A Unidade de Genética Molecular de Parasitas, que dirige, fica com o dobro do financiamento, o que vai permitir recrutar mais investigadores "e comprar equipamentos como um adaptador para um sorteador de células, que permite rastrear e analisar muitas amostras".

"Estou fascinada pelas bactérias da flora intestinal porque só agora, com os avanços da tecnologia, a microbiologia pode explorar e manipular essa flora intestinal, que tem um papel muito importante na proteção contra as doenças infecciosas e as doenças nutricionais como a obesidade ou a diabetes". A líder do grupo de Sinalização Bacteriana do IGC quer perceber como comunicam essas bactérias através de moléculas químicas para trabalharem em conjunto e manterem o estado de equilíbrio da flora intestinal.

"Ser arrojado na investigação é uma das vantagens do financiamento do Howard Hughes", sublinha o dirigente do Laboratório de Telómeros e Estabilidade Genómicado IGC. De facto, é possível arriscar mais do que nos projetos de investigação normais, onde a perspetiva de obter resultados é determinante para conquistar financiamentos nacionais ou internacionais.

Miguel Godinho Ferreira quer entender o mecanismo molecular que explica o envelhecimento, de modo a encontrar novas formas de combater as doenças ligadas à velhice, como por exemplo o cancro.

"MULHERES NA CIÊNCIA 2011"

Investiga o cancro da mama, a doença oncológica que mata mais mulheres em Portugal. O seu objetivo é criar anticorpos humanos que possam bloquear o crescimento celular anormal provocado pela doença, que leva à formação de tumores. Doutorada em Biologia pela Universidade Nova de Lisboa, esta cientista de 35 anos espera que o seu trabalho contribua para a identificação de novos alvos terapêuticos.

A mais jovem investigadora premiada pela iniciativa "Mulheres na Ciência 2011", com 29 anos, quer compreender a estrutura genética do Pneumotórax Espontâneo Primário, uma doença em que há o colapso de um pulmão ou dos dois por razões ainda desconhecidas.

A investigação desenvolvida pela cientista, doutorada em Genética Humana pela Universidade de Oxford, é pioneira a nível mundial.

Descobrir se o aumento dos níveis da proteína S100B na esclerose múltipla pode estar na origem de um atraso na recuperação do doente é uma das ambições de Adelaide Fernandes, 33 anos, doutorada em Farmácia. A investigadora pretende reduzir a extensão dos danos causados pela doença, como a perda da locomoção ou da visão.



Paula Rego em Paris

2012-01-27 12:01:00

Paula Rego em Paris

Esta semana, a exposição de Paula Rego que inaugurou ontem na Fundação Gulbenkian em Paris, dá o mote para dois dias de passeio na cidade da Luz. Esta é a primeira exposição "representativa" da obra da pintora em França. De "A Família" ao famoso "Mulher-Cão", são 30 pinturas, gravuras e desenhos feitos entre 1988 e 2009.

"Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", disse Helena de Freitas, directora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias, co-organizadora da iniciativa. Os trabalhos vão ficar expostos na Fundação Gulbenkian, em Paris, até dia 1 de Abril de 2012.



European Research Council apoia estudo de controlo de danos a tecidos com 2.2 milhões de euros

2012-01-27 12:01:00

European Research Council apoia estudo de controlo de danos a tecidos com 2.2 milhões de euros

Conselho Europeu de Investigação apoia estudo de controlo de danos a tecidos com 2.2 milhões de euros

Investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência recebe financiamento milionário

Miguel Soares, coordenador do grupo de Inflamação no Instituto Gulbenkian de Ciência, selecionado para receber financiamento do Conselho Europeu de Investigação, no valor de 2.2 milhões de euros (Imagem: Câmara Municipal de Oeiras)

Quando ocorre infeção, não basta eliminar o agente infecioso do organismo. Tão importante como combater a infeção é refrear danos nos tecidos do hospedeiro.

Estes danos são provocados por toxinas, libertadas pelo patogénio, mas também pelos componentes do sistema imune recrutados para eliminar o invasor. De facto, são estes danos sobre tecidos e órgãos que, quando não controlados, levam às consequências muitas vezes mortais da infeção.

Há vários anos que Miguel Soares, investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência, se sente fascinado por esta capacidade intrínseca que um indivíduo infetado têm de refrear a extensão dos danos causados por agentes infeciosos - um fenómeno conhecido por "tolerância à infeção". Agora, o Conselho Europeu de Investigação (European Research Council, em inglês), atribuiu à sua equipa um financiamento no valor de 2.2 milhões de euros, por um período de cinco anos, no âmbito do concurso ERC Advanced Grants 2011, para investigar os mecanismos subjacentes a esta capacidade protetora de tolerância à infeção. O trabalho da equipa deverá abrir caminho ao desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para controlar as manifestações clínicas de múltiplas doenças infeciosas.

Com a sua equipa, Miguel Soares identificou já um número restrito de mecanismos de ‘tolerância à infeção’, regulados por programas genéticos específicos, que controlam danos causados por diferentes infeções. Mostraram que estes mecanismos atuam em doenças como a malária e a sepsis grave, por exemplo. Os investigadores acreditam que existirão outros mecanismos protetores, coordenados pelos chamados "programas genéticos protetores", que atuam de forma semelhante às que já conseguiram identifica, mas noutras doenças infeciosas. O objetivo da equipa é identificar estes mecanismos e descrever de que forma atuam os programas genéticos, de modo a que se tornem alvos terapêuticos para uma gama de doenças infeciosas.

"Doenças infeciosas como a malária ou sepsis grave são, ainda hoje, grandes desafios médicos, pelo elevado número de mortes que causam, em todo o mundo", explica Miguel Soares. "Os nossos estudos sugerem que as terapias atualmente disponíveis, quase exclusivamente direcionadas para a eliminação do patogéneo, sem ter em conta a necessidade de controlar danos causados nos tecidos do hospedeiro, contribuem para os parcos resultados no combate a estas doenças. A nossa investigação testa diretamente o pressuposto de que o controlo de danos deve também ser considerado uma vertente crucial no combate às doenças infeciosas. Esperamos identificar alvos terapêuticos que nos permitam avançar nesse sentido".

Os financiamento ERC Avanced Grants são atribuídos a líderes de grupos de investigação "excecionais", que "realizem projetos inovadores, de alto risco, e que abrem novos caminhos nas suas áreas de investigação ou em domínios afins". Os projetos, em três domínios científicos, são selecionados com base apenas na excelência científica. No concurso de 2011 (o quarto desde que se iniciou este programa), foram aprovados 294 de 2284 projetos concorrentes (correspondendo a uma taxa de sucesso de 12%).

Das 20 candidaturas submetidas por investigadores a trabalhar em Portugal, foram selecionados apenas dois projetos: o de Miguel Soares, nas Ciência da Vida, e o de Rita Marquilhas, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Este é apenas a segunda vez que um financiamento ERC Advanced Grant é atribuído nas Ciências da Vida, em Portugal, e ambos foram assegurados por investigadores no IGC. Dos 18 financiamentos ERC concedidos a cientistas em Portugal, em todos os domínios científicos e nos vários programas, sete foram conseguidos por cientistas que estão, ou estiveram, no IGC.

Comunicado do Conselho Europeu de Investigação, lista de investigadores premiados por país, e estatística do programa Advanced Grants 2011.

Miguel Soares é Doutorado pela Universidade de Louvain, Bélgica (1995). Foi investigador na Harvard Medical School, Boston, EUA (1995-98), Instructor em Cirúrgia (1998-2003) e Lecturer (2003-4) na mesma Universidade. Em 2004 estabeleceu-se no IGC como Investigador Principal e coordenador de um grupo de investigação. É também Professor Convidado na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. A sua investigação incide sobre os mecanismos celulares e moleculares que regulam o processo de inflamação, e de que forma poderão ser utilizados em terapias dirigidas a patologias imuno-inflamatórias. Publicou mais de 90 artigos científicos em revistas internacionais, coordena vários projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal) e por organizações internacionais, nomeadamente a Fundação Bill & Melinda Gates. Miguel Soares recebeu vários prémios, incluindo, mais recentemente, o Prémio Roche de Reconhecimento em Transplantação de Órgãos (2011).

O Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) é um dos principais institutos de investigação biomédica em Portugal. Foi fundado pela Fundação Calouste Gulbenkian com o objectivo de desenvolver investigação biomédica e ensino pós-graduado. O IGC funciona como instituição de acolhimento onde grupos de investigação internacionais desenvolvem os seus projetos autonomamente, usufruindo de instalações e serviços de excelência. O IGC desenvolve um programa ambicioso de ensino pós-graduado assim como um programa dedicado à comunicação de ciência e promoção da cultura científica.

Criado em 2007, o Conselho Europeu para a Investigação (European Research Council, ERC), é a primeira organização pan-Europeia para a investigação de ponta. Tem como objetivo promover a excelência científica na Europa, através de concursos de financiamento dirigidos aos melhores e mais criativos investigadores, de qualquer nacionalidade ou idade. O ERC esforça-se igualmente por atrair para a Europa os melhores cientistas do mundo. Financia investigadores estabelecidos (ERC Advanced Grants) e em início de carreira (ERC Starting Grants). Os financiamentos são atribuídos através de um sistema de revisão por pares, sendo a excelência o único critério de seleção. Os valores ascendem a valores entre 2 e 3.5 milhões de euros.


Gulbenkian Paris acolhe exposição de Paula Rego até abril

2012-01-26 12:01:00

Gulbenkian Paris acolhe exposição de Paula Rego até abril

A Fundação Calouste Gulbenkian em Paris inaugura hoje a primeira exposição "representativa" da obra da pintora Paula Rego, em França, com trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2009, de "A família" à "Mulher cão".

A exposição, composta por cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos, não é retrospetiva e foge à ordem cronológica da criação das obras, disse à agência Lusa Helena de Freitas, diretora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias, co-organizadora da iniciativa.

"Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", afirmou.

Os trabalhos vão ficar expostos na nova sede da Fundação, em França, até ao dia 01 de abril. Helena de Freitas considerou que "esta vai ser uma grande oportunidade para Paris olhar para Paula Rego e compreender a sua obra: "É uma exposição forte, a que ninguém poderá ficar indiferente. O espaço não é grande e as obras são densas, fortes, bonitas", disse.

O percurso começa com a obra "A família" (1988), que desenha uma mulher, mãe e duas filhas, na tentativa de reanimarem "a todo o custo" o marido, pai. A diretora explica que esse trabalho, feito depois de 1986, ano que os críticos apontam como o da "fratura mais evidente" no trabalho da autora, depois da morte do seu marido, Victor Willing, "inicia a alteração da sensação de representação plástica de Paula Rego".

Essa "mudança radical" é também ilustrada na série "A menina e o cão", construída a partir dessa data, que, explicou Helena de Freitas, "exprime, de forma alegórica, a fase final da doença do seu marido, transpondo, na representação das duas figuras, a humana e a animal, uma coreografia de gestos quotidianos de dependência física e de violência psicológica".

"É uma exposição que, de alguma forma, entra no campo das emoções. Todo o potencial emocional está muito presente", acrescentou.

Um pilar central destes "núcleos temáticos e séries" que compõem a exposição é o "Anjo" (1998), a mulher que segura com uma mão a espada, com a outra uma esponja, "os símbolos da paixão". Helena de Freitas considera a obra "fundamental" porque "ela transporta os símbolos do sofrimento da paixão" e sublinha a "dualidade, muito importante no trabalho da autora".

O percurso termina -- "ou pode começar" -- com a "Mulher cão" (1994), "uma série muito forte, que também tem que ver com a paixão e com relações emocionais e que expõe o lado animal da mulher na relação com o amor".

Na verdade, a diretora encontra antes um fim n'"O Pillowman" (2004), "obra poderosíssima, muito complexa, que incorpora já a questão dos modelos e muitas memórias de Portugal".

Diário Digital com Lusa


Cinco 'futuros líderes' da ciência falam português

2012-01-25 12:01:00

Cinco 'futuros líderes' da ciência falam português

Investimento. Dos 28 escolhidos em todo o mundo, seis são portugueses ou trabalham cá

PATRÍCIA JESUS

São os "futuros líderes científicos nos seus países". Cinco trabalham em Portugal e estão entre os 28 escolhidos, de 760 candidaturas de todo o mundo, para receber um prémio internacional para novos cientistas, de uma prestigiada instituição norte-americana. Com o prémio vem uma bolsa de 513 mil euros: no total, Rui Costa, Megan Carey, Karina Xavier, Luísa Figueiredo e Miguel Godinho Ferreira vão trazer mais de 2,5 milhões para financiar os seus projetos, ao longo dos próximos cinco anos. Portugal é o país com o segundo maior número de premiados, logo a seguir à China, e em exaequo com Espanha. Mas um dos escolhidos no país vizinho é o português Pedro Carvalho, que desde 2010 dirige um centro científico em Barcelona.

Para os investigadores é difícil dizer o que é que pesa mais: o reconhecimento e prestígio associados ao Howard Hughes Medical Institute (HHMI) ou o dinheiro. Mas "em tempo de crise, quando é cada vez mais difícil conseguir financiamento, 500 mil euros fazem toda a diferença", admite Luísa Figueiredo. "Principalmente porque sendo uma bolsa de cinco anos permite que nos concentremos a fundo no trabalho", acrescenta Karina Xavier.

Por outro lado, ser bolseiro do HHMI é entrar num clube onde estão alguns dos melhores cientistas mundiais. A instituição americana, fundada pelo milionário Howard Hughes - cuja vida foi retratada no filme O Aviador, de Martin Scorsese -, é uma das maiores financiadoras privadas na área da investigação biomédica: no ano passado distribuiu mais de 600 milhões de euros. Além disso, apoia cerca de 330 investigadores independentes, incluindo 13 prémios Nobel. Desta vez procurava cientistas que já tivessem trabalhado nos EUA, em início de carreira (líderes de grupos de investigação há menos de sete anos), com projetos de investigação ambiciosos e de grande impacto. "No fundo é uma elite e só tenho de ficar contente por terem achado que posso fazer parte", diz Luísa Figueiredo. Com todas as vantagens que isso tem a nível da exposição dos seus projetos e de acesso ao trabalho de outros, lembra. Por isso, quando os cinco investigadores descobriram, em novembro, que tinham sido selecionados ficaram "histéricos", resume. Além de ser um voto de confiança no trabalho de cada um, é também um prémio para a investigação que se faz em Portugal. "Não é por acaso que fomos todos bolseiros da FCT [Fundação para a Ciência e a Tecnologia]. É a prova de que o investimento dos últimos 15 anos está a dar frutos", diz Karina Xavier. Tantos que consegue atrair pessoas como Megan Carey, que chegou em 2010. "Tive outras ofertas, mas esta era a mais tentadora", diz a norte-americana.



Novo prémio científico mundial destingue cinco cientistas portugueses

2012-01-25 12:01:00

Novo prémio científico mundial destingue cinco cientistas portugueses

Todas as candidaturas nacionais foram seleccionadas. Portugal só fica atrás da China nos prémios

É o maior reconhecimento da ciência nacional nos últimos anos: cinco cientistas portugueses fiaram ontem distinguidos com um novo prémio do Howard Hughes Medical Institute (HHMI), uma das instituições mais conceituadas nas ciências biomédicas.

O título "International Early Carrer Scientist" distinguirá daqui para a frente os futuros líderes científicos. Nesta primeira edição, todas as cinco candidaturas portuguesas foram aceites, entre as 760 de 18 países. Portugal fica ao lado de Espanha, com cinco cientistas distinguidos, e só atrás da China, onde houve sete premiados. O gabinete de comunicação do HHMI adiantou ao i que, comparativamente com outros países, Portugal teve relativamente poucas candidaturas para o total de vencedores. Foram distinguidos os cientistas Karina Xavier e Miguel Godinho Ferreira, a trabalhar no Instituto Gulbenkian da Ciência, Luísa Figueiredo, do Instituto de Medicina Molecular, e Rui Costa, do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud e Pedro Carvalho, neste momento a trabalhar no Centro de Regulação Genónima em Barcelona, Espanha. Foi distinguida também a investigadora norte-americana a trabalhar em Portugal Megan Carey, também do programa de Neurociências da Fundação Champalimaud.

Recebem uma bolsa de 513 mil euros, numa distinção classificada pelo Ministério da Educação e da Ciência como "prova da qualidade e competitividade internacional da ciência portuguesa".

Já a começar em Fevereiro, os investigadores distinguidos irão receber uma tranche de cerca de 76,7 mil euros, que irá repetir-se durante os próximos quatro anos. Neste primeiro ano recebem ainda 115 mil euros para equipamentos e outros investimentos, além de uma verba destinada à instituição de acolhimento. O prémio distinguiu 28 investigadores, 32% mulheres. "São as pessoas que, daqui a dez anos, esperamos que sejam os líderes científicos dos seus países", disse em comunicado o presidente do HHMI, Robert Tijan.



Paula Rego em Paris

2012-01-25 12:01:00

Paula Rego



Paula Rego expõe na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris.



Paula Rego

2012-01-25 12:01:00

Paula Rego

Paula Rego expõe na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris.


Paula Rego está em Paris

2012-01-24 12:01:00

Paula Rego está em Paris

Paula Rego está em Paris, onde vai inaugurar, na quinta-feira, a sua primeira exposição em França. Será a Fundação Calouste Gulbenkian a albergar trinta obras da pintora, que só lamenta não haver dinheiro para manter a Casa das Histórias, em Cascais, "como deve ser".



Falta de dinheiro

2012-01-24 12:01:00

Falta de dinheiro

Em vésperas de fazer 77 anos e de inaugurar a primeira exposição da sua obra na Gulbenkian de Paris, na quinta-feira, Paula Rego está contente com a Casa das Histórias, em Cascais, mas lamenta "a falta de dinheiro para manter o museu como deve ser".



Habemus Tannhäuser!

2012-01-21 12:01:00

MUSICA

Habemus Tannhäuser!

Johan Botha triunfa na Gulbenkian; Guy Joosten armadilha um "Così" irrelevante no São Carlos

Jorge Calado

Óperas de Mozart e Wagner entrelaçadas em Lisboa em simultâneo é um luxo a que não estamos habituados. Percebe-se qual era a mais necessária: o "Cosi fan tutte" (1790) tem sido feito regularmente em São Carlos, desde a estreia em 1958 (a última vez há cinco anos, na produção inesquecível de Mário Martone); o "Tannhäuser" (1845/47) aconteceu uma vez (1993) nos últimos 40 anos. (Note-se ainda que há óperas importantes de Mozart por estrear em Portugal.) A raridade do "Tannhäuser", mesmo em palcos estrangeiros, tem uma explicação: a dificuldade de encontrar um tenor heróico capaz de arcar com o protagonista. Diga-se já que a Gulbenkian trouxe o sul-africano Johan Botha, vocalmente o melhor Tannhäuser dos últimos 50 anos em qualquer parte do mundo. Só por isto, valia a pena! Notei, aliás, na sala, a presença de Eva Wagner-Pasquier, a bisneta do compositor e atual codiretora do Festival de Bayreuth. Num exercício de inversão simétrica, o São Carlos montou o pior "Cosi" de que há memória em Lisboa.

Ambas as óperas são escolas de amor: amores sacro e profano, na mais medieval das óperas de Wagner; experimentação e troca de amantes, na mais psicológica das óperas de Mozart. Aliás, o título original de Lorenzo da Ponte, "La scuola degli amanti", sucede a várias ligações perigosas, incluindo as de Choderlos de Laclos, em 1782. Nem tudo foi perfeito na Gulbenkian.

Para começar, falta à Orquestra traquejo wagneriano. Por outro lado, não posso esconder o desapontamento com a direção de Bertrand de Billy, apesar das suas credenciais no repertório germânico: a partitura soou pálida e pouco fremente de emoção, e a densidade relativa dos naipes e a dinâmica geral pareceram-me mal calculadas. Mesmo assim, houve coisas muito boas - por exemplo, a retoma do motivo dos peregrinos logo na abertura (excelente desenho das figurações das cordas), e toda a segunda parte do II ato (apesar do corte incrível do final). Em compensação, o Coro portou-se brilhantemente (em especial, o sector masculino), justificando plenamente a programação desta ópera a um ano do bicentenário do nascimento de Wagner (2013).

O protagonista resulta da confluência de dois menestréis do século XIII, a meio século de distância: Heinrich von Ofterdingen (derrotado no concurso de Wartburg, na Turíngia, em 1207) e Tannhäuser (associado a Vénus, que terá estado ativo na segunda metade do século). Wagner, aliás, atribuiu o nome próprio de Heinrich a Tannhäuser, e refere o concurso de canto no título completo da ópera — "Tannhäuser und der Sängerkrieg auf Wartburg". Outros personagens históricos do libreto são Hermann (o Landgrave da Turíngia), Santa Elisabeth da Hungria e os poetas Wolfram von Eschenbach e Walther von der Vogelweide.

Wolfram tem uma presença destacada, cabendo-lhe um dos trechos mais conhecidos (e belos) da ópera - o hino em louvor da estrela vespertina (por sinal, Vénus). Requer um cantor com a musicalidade poética do Lied, mas que tenha também a densidade e pujança vocais capazes de aguentar a orquestração wagneriana. Job Arantes Tomé exibe uma frescura tímbrica e musicalidade atraentes, mas tem de forçar e espremer-se para se conseguir bater com o coro e orquestra, tornando-se inaudível em muito do III ato. Julgo que Luís Rodrigues (Biterolf) se sairia melhor da contenda (ou Vaz de Carvalho, a contas com o Don Alfonso do "Così"). Tomé, por seu turno, teria sido um excelente Guglielmo.

O elenco contou ainda com os desempenhos muito estimáveis de Falk Struckmann (Hermann) e de Jun-Sang Han (Walther). A postura de Manuela Uhl (Vénus) vai bem com o cromatismo venéreo da primeira cena da ópera, mas faltam-lhe os graves sensuais, imprescindíveis mesmo nesta versão de Dresden. A excelente Melanie Diener, pelo contrário, revelou-se uma Elisabeth algo baça (com os olhos na partitura). O bonito timbre de Ana Maria Pinto (Jovem Pastor) casou-se bem com o solo de corne inglês. O triunfador da tarde foi, sem dúvida, Botha - um verdadeiro tenor sem excrescências baritonais, brilhante nas tiradas lancinantes do final do II ato, incansável na Narração de Roma do III (e o único que olhava para os outros cantores e parecia sentir o papel). No final, subiu justamente ao pódio magistral para receber os aplausos delirantes dos outros músicos e do público. Melhor que em Bayreuth!

Entretanto o São Carlos estreava um "Cosí fan tutte" completamente desnecessário e, no processo, reduzia-se à sua irrelevância. Há cinco anos, Martone mostrou que são só precisas duas camas — uma de pau e outra de ferro — e a inteligência do encenador para nos dar uma lição de amor; agora importou-se uma produção caricata de Guy Joosten (para a Vlaamse Opera, em 1997). A propósito, quando é que o São Carlos começa a rentabilizar as suas próprias produções, em vez de as deitar fora? Nos grandes teatros, as produções duram décadas, poupa-se dinheiro e ninguém se queixa. Joosten arma um grande hotel (cenários de Johannes Leiacker), enche-o de figurantes, põe o groom a levar e a trazer malas escada abaixo e escada acima, diz aos cantores para saltarem para cima das cadeiras e sofás, e Mozart e Da Ponte que se lixem. Como não tem ideias que valham, pede a toda a gente para se mexer, apalpar, saracotear, entrar e sair. Na sala, sentia-se o enfado. À boca de cena, uma coisa em forma de bosta era, afinal, a pedra mesmérica! Tentei fechar os olhos, mas como a maior parte dos cantores não tinha queda ou experiência mozartiana, também não resultou. As exceções foram Jorge Vaz de Carvalho (Don Alfonso), de voz seca (no início), mas com autoridade e estilo, e um aproveitável Shawn Mathey (Ferrando). O resto soava a ensaio-de Conservatório de província. Pena, até porque a direção musical e acompanhamento ao cravo dos recitativos, por Erik Nielsen, não desmereceram. No II ato vira o cenário (da esquerda para a direita ou vice-versa) e faz o mesmo. Quando o groom mais o rececionista voltaram a levar, pela enésima vez, as mesmas malas (vazias, como a cabeça dos responsáveis), escada cima, soltei o grito do Ipiranga e pirei-me. Escrevo estas linhas ao som da gravação de John Eliot Gardiner para a Archiv - precisamente a produção que passou pelo São Carlos em 1992. Ah, esquecia-me de um aspeto positivo: o primeiro-ministro assistiu à récita e chegou a horas.



Eduardo Lourenço considera que «a crise não é uma ameaça»

2012-01-19 12:01:00

Eduardo Lourenço considera que «a crise não é uma ameaça»

O ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço considera que a crise económica por que a Europa está a passar não representa uma ameaça à Cultura porque «o sujeito da Cultura é cada geração que vem» e isso, diz, «é imortal». O professor, galardoado com o prémio Pessoa 2011, esteve em Paris, na Terça-feira, na cerimónia que assinalou a mudança na direcção do Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian em França.

Em declarações à agência Lusa, Eduardo Lourenço sublinhou a importância da Fundação, «uma espécie de prenda que nos caiu do céu», e considerou que, apesar do momento difícil por que Portugal e a Europa estão a passar, o contributo da Gulbenkian para a promoção da língua e da cultura portuguesas não vai sofrer alterações.

O filósofo acrescentou ainda que não lhe parece que a Cultura esteja hoje mais ameaçada do que há uma década: «Parece-me antes que estamos a viver formas culturais diferentes. A Cultura hoje não é um monopólio de uma casta, é o rock como o futebol, tudo é Cultura e nada é Cultura no sentido antigo dos termos», afirmou. «Vivemos numa sociedade para a qual a Cultura não tem um estatuto especial, tudo é cultural.

Contudo, disse ainda, «a Europa está ameaçada por uma crise séria e sem rosto». É, considera, «uma espécie de guerra, [levada a cabo] por sujeitos incógnitos, que parecem saídos de filmes de horror, do Kafka e do Woody Allen ao mesmo tempo». Mas a Cultura é «outra loiça», responde com outras armas: «O sujeito da Cultura é cada geração que vem, que transmite uma parte desse saber que nos vem do passado e com ele constrói o futuro. Essa é que é realmente a Cultura, e essa é imortal», terminou.



Gulbenkian de Paris acolhe exposição de Paula Rego

2012-01-20 12:01:00

Cerca de 30 obras da pintora portuguesa para ver até Abril

Gulbenkian de Paris acolhe exposição de Paula Rego

Cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos de Paula Rego vão estar reunidos numa exposição a inaugurar em Paris, no próximo dia 26 de Janeiro. A primeira mostra representativa da pintora portuguesa organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian em França, reúne obras realizadas entre 1988 e 2010 e que contribuíram para o seu reconhecimento internacional.

A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta pela primeira vez em França, uma exposição representativa da pintora portuguesa Paula Rego nascida em Lisboa em 1935.

A inaugurar a 26 de janeiro, reúne obras realizadas entre 1988 e 2010, um período "de total maturidade de Paula Rego", mas não tem qualquer caráter retrospetivo, concentrando-se na escolha das séries temáticas "que mais contribuíram para o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", refere a Fundação, que organiza a exposição em parceria com o a Fundação Paula Rego/Casa das Historias de Paula Rego e a Câmara de Cascais.

O percurso começa com a obra "A família" (1988), que mostra uma mulher, mãe e duas filhas, na tentativa de reanimarem "a todo o custo" o marido, pai, explicou à agência Lusa, a comissária da exposição e diretora da Fundação Paula Rego, Helena de Freitas.

A responsável afirma que esse trabalho, feito depois de 1986, ano que os críticos apontam como o da "fratura mais evidente" no trabalho da autora, depois da morte do seu marido, Victor Willing, "inicia a alteração da sensação de representação plástica de Paula Rego".

Paula Rego é apresentada como uma artista plástica "que domina as ferramentas técnicas e recursos estéticos dos grandes mestres", para desenvolver uma linguagem visual "que desafia o espetador e o transforma". "É uma exposição que, de alguma forma, entra no campo das emoções. Todo o potencial emocional está muito presente", afirmou Helena de Freitas à Lusa.

Em complemento à exposição, a Gulbenkian Paris realiza duas conferências. A 23 de fevereiro, às 18 horas, o escritor, poeta e crítico literário Anthony Rudolph conversa com o pintor e diretor da Escola de Belas Artes de Nimes, Dominique Gutherz. A 15 de Março, também às 18 horas a Fundação acolhe o crítico de arte Philippe Dagen, para uma conferência sobre a obra de Paula Rego.



De Keersmaeker, cidadã honorária de Lisboa

2012-01-20 12:01:00

8 palcos, 15 espectáculos, 30 anos de carreira

De Keersmaeker, cidadã honorária de Lisboa

2012 será o ano em que a coreógrafa consegue o que há muito se desejava: uma cidade a pensar em conjunto

Tiago Bartolomeu Costa

Ao longo do ano, Anne Teresa De Keersmaeker vai viver em Lisboa e, com ela, vamos poder atravessar 30 anos de coreografias. A partir dos espectáculos que vai trazer ao Centro Cultural de Belém (CCB), à Culturgest, aos festivais Alkantara e Temps d'Images, aos teatros Maria Matos e S. Luiz, à Gulbenkian, à EGEAC, ao Museu do Chiado e à Companhia Nacional de Bailado (CNB), vamos ver o modo como, através da dança, De Keersmaker foi desenhando uma linguagem "sem técnica", como disse Mark Deputter, programador do Maria Matos, ontem, em conferência de imprensa no Palácio Pombal, em Lisboa.

"As várias casas de Anne Teresa" serão assim "cruzes num mapa da cidade". "O que fui aprendendo, ao ver os meus espectáculos, é também o modo como me fui dirigindo ao mundo."

O ciclo abre no CCB a 3 de Fevereiro com as quatro primeiras peças Fase, four movements to the music of Steve Reich (1982), Rosas danst Rosas (1983), Elena's aria (1984) e Bártok/Mikrokosmos (1987), que deram origem ao que Deputter chamou "desejo pela vida". Ela sorriu. E ele, compatriota, amigo, desenhou-a em três pontos, dizendo sempre que não chegavam: a relação com a música, o espaço como realidade e a permanente reinvenção da sua linguagem. "Nenhum corpo é abstracto", disse. "Que corpo é o meu?", perguntou-nos depois a coreógrafa.

"São as minhas primeiras peças e voltar a dançá-las é também uma forma de o público se ver a vêlas." É essa relação de permanente construção de um significado que interessa à coreógrafa. "Não sei por mais quanto tempo vou eu conseguir dançá-las. Deixarei de saber dançar, quando já não puder fazê-lo?" Vive habitada por dúvidas e, por isso, não se pode esperar que as peças possam ser explicadas. E dá o exemplo de Drumming (1998, no S. Luiz a 29 e 30 Outubro) como uma "peça feliz", "uma explosão", "onde a música e a coreografia se atropelam e complexificam o que dizíamos saber". E fala de The Song (2009, 23 e 24 Novembro, Maria Matos), como "hipótese de diálogo com corpos" que não conhece e a "intrigam".

Perguntam-lhe como é o seu método e ela hesita. "É mais fácil explicar [por palavras] do que exprimir [no corpo]", diz. Não é género, é génio, diríamos. "É muito trabalho", acaba por responder. Anne Teresa pode falar sobre o seu trabalho e dizer o que se espera que diga: "O movimento nasce da reflexão sobre o corpo social." Falar da relação com o espaço e de como "o movimento precisa de encontrar a sua forma". "[Por isso], volto sempre a essa coisa esquisita que é o corpo", diz. Pode contar como aprendeu, com os anos, a equilibrar as tensões entre homens e mulheres, a partir do tauismo, a desenhar o movimento em diálogo, e não sublinhando, a música, e pode até dizer o que queremos ouvir sobre a importância da cultura para a construção de uma sociedade - " força de vontade dos indivíduos que tornam a vida possível". Mas é no que não vai dizendo, no modo como cola os olhos ao chão ou sorri com os comentários que fazem ao seu trabalho, que se vai revelando. "Vou dizer o quê?"

É a isso que tem procurado responder e, por isso, uma peça como 3Abschied (15 e 16 Novembro, Gulbenkian) que traz Anne Teresa pela mão de Jérôme Bel, num dos mais inusitados gestos coreográficos dos últimos anos, é também um momento para vermos a coreógrafa a perguntar que imagem construiu. Tentando cantar os versos finais de Das Lied von der Erde/A Canção da Terra, de Mahler, De Keersmaeker despede-se também de uma noção de eficácia que o tempo foi imprimindo às suas peças. E fala-nos do modo como a música a ajudou "a compreender melhor o movimento".

Foi em 1987, na primeira vez que esteve em Lisboa, que Anne Teresa de Keersmaeker percebeu que, se a música tinha alguma importância no seu trabalho, era porque os bailarinos a tinham interiorizado. "E isso é diferente de a ouvir." "Como na natureza, também as coreografias de Anne Teresa parecem inscrever-se na ordem natural das coisas", observa Deputter.

E, por isso, parece também natural que regresse à Companhia Nacional de Bailado para a qual criou, em 1998, The Lisbon Piece, que não mais voltou a circular. Agora oferece três das coreografias ao elenco da CNB (Prelúdio à Sesta de Um Fauno, Grosse Fuge e Noite Transfigurada, 26 Outubro a 10 Novembro), gesto que só antes tinha acontecido com o Ballet da Ópera de Paris. "Há um lado clássico nas minhas peças que só os bailarinos clássicos compreendem."

Esse lado solene estará também nas peças que Junho vê chegar, pela mão do Alkantara, o díptico En Attendant (2010) e Cesena (2011), criadas para o Festival de Avignon, em colaboração com o agrupamento musical Ars Subtilor, e onde De Keersmaeker trabalhou a música medieval. Vamos vê-las em Lisboa na sua versão para palco, o que significa que perderemos a relação com a luz. En Attendant (5 e 6, Culturgest) foi criada para ser interpretada ao fim da tarde e Cesena (8 e 9, CCB), para o romper do dia. "É quando passamos da noite para o dia que as pessoas ganham a sua dualidade", diz ela, que nunca gostou de corpos planos e sempre os trabalhou a partir das suas dobras, dos pontos de fuga que criavam entre si. Guimarães terá melhor sorte, a peça será apresentada a 16 de Junho, às 5 da manhã, como parte da Capital Europeia da Cultura.

No fim, longe de tudo, sentados junto a um aquecedor, perguntamos-lhe porque aceitou vir a Lisboa. "To dance", responde, como se tivesse elaborado uma frase mas só lhe saíssem estas palavras. Deixa cair as palavras como se a apanhássemos, constantemente, no meio de um pensamento. Quando se despede de nós até à primeira data do ciclo, ainda volta atrás e pergunta: "Não sei falar sobre dança. Sei dançar."



"Criar algo novo sem referências do passado é pura ilusão"

2012-01-20 12:01:00

"Criar algo novo sem referências do passado é pura ilusão"

A carreira do compositor britânico Thomas Adès (n. 1971) é um caso de sucesso desde os seus primeiros trabalho criativos no tempo em que era estudante da Guildhall School of Music and Drama de Londres. Muito cedo começou a ser solicitado por editoras de partituras (como a Faber Music) e a receber críticas entusiásticas na imprensa especializada. Contou ainda com um promotor da sua música tão importante como o maestro Simon Rattle, que lhe encomendou várias obras e escolheu inclusive uma das suas peças ("Asyla") para o primeiro programa na qualidade de titular da Filarmónica de Berlim. Adès estudou percussão, é um pianista de alto nível (intérprete das suas obras mas também parceiro de música de câmara de artistas como o tenor Ian Bostridge ou o violoncelista Steven Isserlis) e um conceituado maestro com um repertório que se estende desde o Classicismo ao séc. XXI.

Mas o músico britânico, que se encontra em residência na Gulbenkian até ao dia 28, diz que não sabe qual é o segredo do seu sucesso. "Estou contente pelo facto de a minha música comunicar com as pessoas, mas nem sequer penso nisso quando escrevo uma obra", diz. Quando um crítico afirmou que se tratava do mais "entusiasmante compositor das ilhas britânicas depois Purcell e Britten" achou um exagero, mas também não tem problemas em lidar com o sucesso longevão os tempos em que os compositores de vanguarda faziam gala de uma linguagem hermética e ficavam desconfiados quando a sua música era compreendida pelo público.

Adès tem também uma relação salutar com a herança da história da música e com a música popular urbana. "A relação próxima com a música do passado é normal e sinto que a maior parte dos compositores de hoje a cultiva. Também não vejo problemas em usar influências da cultura popular, gosto de viver em contacto com o mundo real." Por exemplo, no 3º andamento de "Asyla" (1997) recorre a elementos da música "techno" e em "Cardiac Arrest" (1995) realizou arranjos de canções dos Madness.

"Houve aquele breve período depois da II Guerra em que os compositores pretendiam criar algo novo sem referências do passado mas era uma pura ilusão e isso foi há 40 anos!", recorda. "A questão não está em evitar ou não as referências do passado ou a outras culturas, está no que temos para dizer e se o conseguimos ou não, o material musical e as referências são apenas um meio, o que interessa é o que fazemos com esses elementos." Mesmo assim, e apesar da sua projecção, tem consciência de que o seu trabalho chega a um público restrito. "Em nenhuma época a música clássica foi escrita para milhões de pessoas e não há mal nenhum nisso. Estou mais interessado nas reacções individuais do que nos fenómenos de massas."

Em Lisboa, Thomas Adès dirigiu esta semana um concerto com a Orquestra de Câmara da Europa com um programa composto por obras suas ("Three Studies after Couperin" e o Concerto para Violino), em conjunto com "Les nuits d'été", de Berlioz, e a Sinfonia nº6, de Sibelius, e voltará a estar à frente desta excelente formação instrumental no dia 22. Nessa ocasião será possível ouvir "In Seven Days: Piano Concerto with moving image" (a primeira das suas colaborações com o artista visual israelita Tal Rosner) e a Sinfonia nº6, "Pastoral", de Beethoven. "Trata-se de um concerto para piano que tem a ver com os sete dias da criação. Inspira-se Génesis e é uma metáfora para a variação e a criação de movimento de um andamento para o outro. A peça envolve a ideia do mundo natural, o tempo, o mar, os elementos, as plantas, os animais, o homem... Por seu turno, a Pastoral de Beethoven é uma pintura da natureza na música sinfónica. Achei que seria interessante juntar as duas obras."

Grande parte das criações de Adès partem de um imaginário extra-musical, mas o compositor não gosta da distinção entre "música abstracta e música programática". "Acho que é a mesma coisa, qualquer obra pode contar uma história e qualquer obra pode ser vista como música pura. É uma definição antiga que vem nos livros mas que para mim não faz sentido." No entanto, acaba por reconhecer que as duas componentes podem ter pesos diferentes na motivação para escrever uma peça quando fala de "Polaris", uma das suas últimas obras, que irá ser apresentada pela Orquestra Gulbenkian a 27 e 28. Do mesmo programa fazem parte "Asyla" e a "Sinfonia Fantástica" de Berlioz. "Em 'Polaris' o que fiz foi pegar em duas ou três notas e olhá-las ao microscópio, vendo todas as suas implicações.

É diferente de 'Asyla' [plural de asilos] que tem uma história por trás. Achei que 'Asyla' e a Sinfonia Fantástica de Berlioz têm muito em comum no sentido em que a Fantástica faz a primeira descrição musical do efeito das drogas e mostra uma relação paranoica. Para 'Asyla' inspirei-me num hospício, mas aí é uma visão de fora e não uma vivência na primeira pessoa." O retrato de Adès proposto pela Gulbenkian inclui ainda a projecção no dia 23 da ópera "The Tempest", baseada na obra homónima de Shakespeare e estreada em 2004 com grande êxito na Royal Opera House de Londres. Trata-se da sua segunda ópera - a primeira foi "Powder Her Face" - mas Adès tem já planos para uma terceira. "Será inspirada no filme de Buñuel 'O Anjo Exterminador'. Tomei contacto com o cinema de Buñuel muito cedo porque a minha mãe é historiadora de arte. A ópera é um meio poderoso.

Não queria fazer uma peça que fosse apenas sobre a vida do dia a dia. Queria trabalhar o quotidiano de uma maneira metafórica e achei que este filme era ideal."



Como um anjo que vinga e que perdoa

2012-01-20 12:01:00

Como um anjo que vinga e que perdoa

Sempre que pinta, Victor Willing está por perto. É ela que o diz. É raro o pintor ficar de fora das suas conversas. Conheceram-se em meados dos anos 50 e viveram juntos até à morte do artista britânico, em 1988. Paula Rego diz que ele lhe faz falta todos os dias. Se o tema é a paixão - de homens e de deuses - então Willing tá em toda a parte, mesmo quando não se vê.

"Paula Rego", a exposição que acaba de abrir em Paris, na nova sede da Fundação Gulbenkian, reúne 30 obras desta artista que nasceu em Portugal há 77 anos e vive em Londres há quase 40. Gravura, desenho e sobretudo pintura num conjunto de obras das últimas décadas que tiveram projecção internacional e que revelam um desejo de reinvenção permanente, um domínio das técnicas que críticos e curadores como Marco Livingstone dizem ser apenas comparável ao dos grande mestres, e uma humanidade comovente, cheia de contradições.

"A Paula Rego está sempre insatisfeita, quer sempre fazer mais e melhor, nunca se acomoda. E isso vê-se na sua obra", explica Helena de Freitas, directora da Casa das Histórias, o museu de Paula Rego em Cascais, e comissária da exposição. "Ela começa a trabalhar nos anos 50 e, se olharmos para o que fez, podemos identificar várias fases, datá-las. Estão unidas pelo mesmo modo de pensar e de abordar os temas, têm uma identidade muito forte, mas os modos de fazer estão sempre a mudar."

Os temas saem de uma paleta imensa, dominada pelas memórias, sobretudo as da infância, pelos contos tradicionais, a cultura popular portuguesa, as referências dos livros e do cinema, e a experiência quotidiana, "a vida como ela acontece", disse numa entrevista no final dos anos 90. É por isso que não devemos estranhar que Helena de Freitas tenha escolhido "A Família" (1988) para abrir a exposição. Nesta pintura, duas raparigas manipulam um homem, como se tentassem devolver a vida a um corpo inerte que há muito deixou de obedecer ao seu dono, perante o olhar de uma terceira, que parece rezar de costas para a janela, junto a um oratório que associa às figuras de Maria Madalena e de S. Jorge uma fábula de Esopo.

"A menina à janela é a menina dos milagres, mas não consegue fazer milagre nenhum", explica Paula Rego no catálogo da exposição. O homem é Vic Willing e a pintura é feita num período particularmente duro da vida da pintora, quando o marido estava já numa fase terminal. Sofria de esclerose múltipla há 20 anos quando morreu, em Junho de 1988. Há muito tempo que dependia destas mulheres - da própria Paula Rego, das filhas do casal, e de Lila Nunes, que haveria de cuidar dele até ao fim, transformando-se nesse processo na assistente e modelo da pintora.

"Do ponto vista plástico 'A Família' marca uma ruptura importante, mas é uma obra fundamental também por causa dos afectos, é importante para compreender a Paula Rego. Ela fez esta pintura quando o marido estava a morrer - há aqui um certo imobilismo uma coisa muito tensa, mas depois vemos uma janela aberta, um oratório, uma esperança. É muito dramática, complexa e extraordinariamente cenográfica. É como estar perante uma peça de teatro", diz a comissária.

Essa construção teatral, por vezes até coreográfica, é uma constante na composição em Paula Rego. Uma composição que começa geralmente pelo desenho a partir do natural, a partir do que vê. "Primeiro ela constrói o desenho e depois ela estrutura, compõe e organiza a pintura, transformando o atelier numa espécie de palco onde dispõe o que quer pintar", acrescenta Helena de Freitas. A pintura é, então, contaminada por muitas outras disciplinas, da literatura (como a série inspirada no romance de Eça de Queirós, "O Crime do Padre Amaro") ao cinema (as avestruzes saídas do filme "Fantasia", da Disney), passando pelo teatro (o tríptico "O Homem-Almofada", a partir de Martin McDonagh, e "As Criadas", devedoras da peça homónima de Jean Genet).

"Há um lado de performance no seu trabalho e isso é também muito contemporâneo e subversivo." Philippe Dagen, crítico de arte do "Le Monde" e autor de um dos textos do catálogo, gosta de sublinhar esta contaminação e chega mesmo a defender que "Paula Rego poderia ter dado, sem dúvida, uma extraordinária realizadora".

Falso naturalismo

Influenciada pelas suas memórias e pelos acontecimentos do dia-a-dia, domésticos ou não, a artista apresenta uma singularidade de composição que para Dagen é essencial. Com a sua formação e a sua "técnica pictórica complexa e informada", seria errado dizer que Paula Rego pinta de um ponto de vista infantil, mas é justo afirmar que "às vezes se põe à altura das crianças para poder olhar os adultos como 'pessoas grandes', muito maiores do que ela e muito mais cómicas e inquietantes, como só uma criança sabe fazer", explica ao Ípsilon o crítico do diário francês, que gostaria de ver a obra da artista exposta ao lado da de Louise Bourgeois e da de Annette Messager, que também usam as memórias de infância como referente mas que o fazem através de outros meios, como a escultura e a instalação.

Este recurso da composição alia-se a outros que levam Helena de Freitas a falar de "um falso naturalismo" quando se refere à pintura de Paula Rego. Falso porquê? "É falso porque há muita coisa por trás da pintura que nós não vemos. É pintado do natural, é verdade, mas é um natural que não tem nada a ver com o real, que parte de uma construção narrativa muito pessoal. Mesmo a própria alteração de escalas - nada daquilo é natural.

Por exemplo, n' "O Descanso na Fuga para o Egipto" [1998], há uma desproporção gigante entre as figuras e isso não é real, é inventado. É feito com a intenção de provocar uma reacção. É uma distorção que perturba, que incomoda, que nos faz parar e pensar que aquela pintura quer dizer mais do que parece."

Se há matéria em que a pintora é particularmente subversiva é na construção da narrativa, mesmo quando ela parte de obras de referência conhecidas, como o já referido "O Crime do Padre Amaro" - na exposição estão co obras inspiradas no romance de Eça: "Entre Mulheres", "Olhando para Fora", "Mãe", "A Cela" e "Anjo" - e "Branca de Neve" dos irmãos Grimm ("Branca de Neve e a Madrasta" e "Branca de Neve Engole a Maçã Envenenada", ambas de 1995).

"É a partir da sua própria experiência que ela transforma as histórias", diz Helena de Freitas. E é esse aspecto confessional que Marco Livingstone elogia quando escreve sobre a sua timidez, quando convida alguém a visitar o seu estúdio para ver uma obra em que está a trabalhar: "Ela sabe que se sente envergonhada porque está a revelar muito de si mesma, mas compreende que esse é o preço a pagar para nos convencer de que o que está a dizer é verdade."

Sempre ambivalente

É através da série d'"O Crime do Padre Amaro" que o tema da paixão e das emoções humanas - fio condutor escolhido pela comissária - conhjece mais uma das suas vertentes. "Anjo" faz uma referência directa à Paixão de Cristo. Lila Nunes serviu de modelo a este anjo que é todo matéria, com a espada numa mão (na Paixão o instrumento usado é uma lança) e a esponja na outra. Esta pintura é também paradigmática no que toca à ambivalência na sua obra. Não se trata de uma tentativa de auto-retrato, garante a comissária, mas diz muito sobre a pintora.

"Na realidade não é um anjo, é absolutamente carnal, uma mulher daquelas verdadeiras, que faz muita sombra. Há nela qualquer coisa que vinga e qualquer coisa que perdoa. Mostra que, com a Paula não há uma verdade absoluta, como na vida também não há. As pessoas, os comportamentos, os desejos, nada disto é linear. É toda esta complexidade que passa para os seus trabalhos e é por isso que, quando os vemos, muitas vezes nos confrontamos connosco, com as nossas próprias imperfeições, com o que queremos, com o que deixámos para trás."

Os comportamentos contraditórios, diz Philippe Dagen, estão lá porque fazem parte do que somos: "A mãe pode transformar-se em prostituta, a santa em diaba, o carrasco em vítima, e vice-versa. […] É impossível saber o que fazem as figuras que Paula Rego inventa, o que são - é impossível porque a verdade dos seres é demasiado mutável para ser compreendida."

A sua pintura é ambivalente porque é profundamente humanizada, defendem Livingstone e Dagen. Helena de Freitas concorda e demonstra-o, evocando a série que Paula Rego fez em 1998 quando em Portugal se discutia a despenalização do aborto, com obras expostas em Paris: "Ela coloca o sagrado, o quotidiano e o místico em planos perfeitamente indiferenciados. Nas pinturas do aborto a mulher está numa posição de grande fragilidade física, mas de grande superioridade moral. A cabeça sempre erguida, a postura do corpo, o olhar… Esta é uma mulher que afronta, que desafia, que está longe de se comportar como uma vítima."

A intervenção em temas sociais e políticos é algo que interessa cada vez mais à pintora. "Guerra", uma obra de 2003, é também um território de intervenção, desta vez contra a invasão do Iraque. Tal como a maioria das obras presentes na exposição que termina a 1 de Abril, é feita a pastel, uma técnica em que Paula Rego demonstra toda a sua mestria, segundo Livingstone. "Nas mãos de Paula Rego o pastel é aplicado em golpes corajosos, fortes, nítidos e dinâmicos, que se misturam mais quando os olhamos à distância do que sob os seus dedos", escreve, enquanto elogia o seu domínio da cor, das linhas e da composição, "que de nada serviria se estes quadros não conseguissem levar-nos além da arte e não nos fizessem reflectir sobre a própria vida". Uma vida inquieta e apaixonada, no caso dela.



Um talento do nosso tempo avesso ao culto da personalidade

2012-01-19 12:01:00

Um talento do nosso tempo avesso ao culto da personalidade

Música. Durante as próximas duas semanas, a Fundação Gulbenkian recebe a visita do maestro e compositor Thomas Adès

NUNO GALOPIM

Se há quem conviva bem com a sua exposição pública e o peso que as grandes comparações carregam sobre os ombros de quem mora no centro dos elogios, outros são os que preferem o silêncio e a tranquilidade de uma vida fora dos holofotes das atenções. É o caso de Thomas Adès, jovem britânico que é já, e sem exageros, um dos maiores compositores do nosso tempo.

A partir de hoje, e até dia 28, a Gulbenkian recebe a sua visita num programa que inclui vários concertos e a projeção em grande ecrã do registo filmado das suas óperas.

Ainda não tinha 30 anos (hoje tem 31) e já o seu nome era alvo de elogios raros. Foi o primeiro compositor britânico a acolher elogios unânimes desde a morte de Benjamin Britten (em 1976). Em 2002, viu um retrato seu exposto na National Portrait Gallery. E quando na imprensa lhe atribuíram falsas declarações sobre Mozart e Mahler, sentiu-se sob tamanha pressão que não teve senão um desejo de sair de cena, encontrando o refúgio (temporário) numa ilha grega.

O tempo talvez o tenha habituado a resistir a melhor esta tensão. Mas a sua entrega ao trabalho continua total. E além de manter um impressionante ritmo criativo, tem uma agenda que reparte a composição com o trabalho como pianista e maestro.

A sua música revela uma impressionante segurança técnica e das gravações de várias das suas obras surgiram alguns dos discos mais entusiasmantes (e aclamados) entre os que retratam a música do início do século XXI.

Em Lisboa, o ciclo que a Gulbenkian dedica a Thomas Adès prevê a estreia de uma peça coencomendada pela fundação e que será interpretada pela Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo próprio compositor. Trata-se de Polaris: Voyage for Orchestra, que, juntamente com Asyla e a Sinfonia Fantástica de Berlioz prefazem o programa que encerra esta visita a Portugal, nos dias 27 e 28.

Hoje, às 21.00 (repetindo amanhã pelas 19.00), o concerto de abertura, com a Chamber Orchestra of Europe dirigida por Adès, inclui os seus Three Studies from Couperin e o Concerto para Violino e ainda Les Nuits d'Etéde Berlioz e a Sinfonia N°6 de Sibelius. Dia 22 (domingo), Adès dirige In Seven Days: Piano Concerto with moving image, de sua autoria, e a Sinfonia N°6 de Beethoven. Segunda, dia 23, o ciclo propõe ainda a projeção de The Tempest, a sua muito elogiada segunda ópera.



Transições

2012-01-19 12:01:00

Transições

VENCEDORES

Da 69ª edição dos Globos de Ouro, atribuídos pela Associação de Jornalistas Estrangeiros de Hollywood, Meryl Streep, na categoria de Melhor Atriz Dramática, como Margaret Thatcher no filme A Dama de Ferro, e, entre outros, George Clooney (Melhor Ator Dramático) e Os Descendentes (Melhor Drama), Dia 15.

NOMEADO

João Caraça, para dirigir o centro da Fundação Gulbenkian em Paris. Dia 10.

ELEITO

Do alemão Martin Schulz, líder do grupo socialista, para presidente do Parlamento Europeu. Dia 17.

CONDENADOS

A penas suspensas de prisão Rodolfo Santos, Bárbara Oliveira e mais três dos seis arguidos no caso de agressão de uma jovem publicada no Facebook, na condição de frequentarem a escola ou um curso profissional. Dia 17, em Lisboa. A quatro anos de prisão o professor universitário Mário Miguel Mendes, que se fazia passar por mulher a fim de aliciar homens pela internet. Dia 13.

ENCERRADA

A revista Focus, por decisão do grupo Impala. Anunciado dia 12.

MORTES

De João Teotónio Pereira, 51 anos, chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Entrou em 1988 na carreira diplomática, trabalhou no Serviço de Imprensa do Ministério e depois nas missões de Portugal em Roma e Belgrado. Já tinha sido adjunto de Portas no Ministério da Defesa. Foi ainda subdiretor da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas. Dia 17.

De Miljan Miljanic, 81 anos, antigo jogador e treinador de futebol sérvio que se iniciou no Estrela Vermelha de Belgrado e foi depois técnico deste clube, da seleção jugoslava, do Real Madrid e do Valência, tendo vencido diversas competições.



A Criação e o criador

2012-01-18 12:01:00

A Criação e o criador

Até Deus precisou de descansarão sétimo dia, mas o compositor Thomas Adès não parece ter tempo para esses ócios. Vem à Gulbenkian mostrar algumas das suas obras mais emblemáticas.

A música contemporânea não costuma despertar grande excitação entre as massas, excepto quando abraça o neoclassicismo ou engrena em pulsação minimal.

Todavia, Thomas Adès (n. 1971) converteu-se numa celebridade, sobretudo na Grã-Bretanha natal, sem fazer concessões na "acessibilidade". A estreia de uma obra sua não causa tanto frisson como um novo disco de Radiohead, mas o compositor, cuja produção é prolífica e variada (da ópera ao piano solo), tem sido alvo de retrospectivas em importantes festivais como o do Barbican, em Londres, "Présences", da Radio France, ou "Ultimo", em Helsínquia.

Chegou a vez de Lisboa ter um minifestival Adès, que se estende pela semana que vem. Nesta poderão ouvir-se Three Studies After Couperin (2006) e o Concerto para violino Concentric Paths (2005), na quinta-feira, e o Concerto para piano In Seven Days (2008), no domingo.

In Seven Days recria os sete dias da Criação sob a forma de um "concerto para piano com imagem em movimento". A peça, dividida em sete andamentos - um para cada dia -, foi composta em estreita colaboração com o artista de vídeo Tal Rosner (também presente em Lisboa). Não se espere nada no género da narrativa da Criação na Fantasia da Disney, pois as imagens são abstractas e a música de Adès escapa a classificações: coexistem pulsações minimalistas, pinceladas jazzísticas, erupções mahlerianas, aguadas impressionistas e umas vezes é diáfana, outras, densíssima.

Na quinta-feira o programa completa-se com Les Nuits d'Eté, de Berlioz, e a Sinfonia n"6 de Sibelius, no domingo com a Sinfonia n"6 de Beethoven. Serão solistas Toby Spence (tenor) e Leila Josefowicz (violino) e Nicolas Hodges (piano). O tenor inglês tem variada experiência na ópera (do século XVII à estreia do papel de Ferdinando na ópera The Tempest, de Adès, que é mostrada na segunda-feira) e tem Les Nuits d'Eté como uma das suas peças favoritas. A violinista canadiana acedeu à "Primeira Divisão" bem cedo - aos 17 anos tocou no Carnegie Hall com a Academy of Saint-Martin-In- -The-Fields - e tem sido empenhada divulgadora do repertório contemporâneo - Adams, Adès, Knussen, Salonen -, algum dele em estreia. Hodges especializou-se em música contemporânea e vários são os compositores - Carter, Sciarrino - que lhe dedicaram peças. Em ambos os dias a orquestra será a Chamber Orchestra of Europe, que foi responsável pela estreia, em concerto e em CD, de várias obras de Adès, sob a direcção do compositor. Também aqui a direcção será de Adès, que tem uma aclamada carreira como maestro e saberá melhor do que ninguém como as suas "criaturas" devem soar.

Convite a descobrir Adès, quinta-feira e domingo, na Fundação Gulbenkian. Ver listas.



"Um bloqueio do Estreito de Ormuz seria desastroso para a economia portuguesa"

2012-01-17 12:01:00

PERGUNTAS A. ANTÓNIO COSTA E SILVA PRESIDENTE DA PARTEX

"Um bloqueio do Estreito de Ormuz seria desastroso para a economia portuguesa"

António Costa e Silva, presidente da companhia petrolífera detida pela Fundação Gulbenkian explica a importância do Estreito de Ormuz no mercado petrolífero e as consequências de um bloqueio.

- Deve ser levada a sério a ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz feita pelo Irão?

- A ameaça é real, mas espero que a racionalidade prevaleça. Até porque se há país que seria muito seriamente afectado é o próprio Irão. O Estado teve receitas de mais de 100 mil milhões de euros do petróleo no ano passado. As exportações são cruciais para a economia local.

- Mas esse bloqueio seria exequível?

- O Irão não tem capacidade militar para impor um bloqueio total do Estreito por um período prolongado. Mas pode conseguir um bloqueio temporário.

- E qual seria o impacto nos preços do petróleo?

- Quando o Irão recentemente fez exercícios militares no Estreito de Ormuz e ameaçou bloqueálo, o petróleo subiu 4,4% num dia. Num acto real, a resposta dos mercados seria avassaladora. Isto iria conjugar-se com a luta acesa que existe entre a Arábia Saudita e o Irão pelo domínio regional. O regime iraniano já veio afirmar que se os países reforçarem as exportações de forma a suprir o efeito do embargo ao seu petróleo isso será considerado um acto hostil. Os únicos países que têm capacidade excedentária de produção são a Arábia Saudita, o Kuwait e os Emiratos Árabes Unidos. O problema é que ela tem de ser escoada pelo Estreito de Ormuz.

- E não há alternativas ao Estreito?

- O maior porto de exportação de petróleo do mundo, que pertence à Arábia Saudita, está no Golfo. Existe um "pipeline" para um porto no Mar Vermelho, mas a capacidade é limitada. Isso só atenuaria ligeiramente o estrangulamento. Os Emiratos Árabes Unidos estão a fazer um "pipeline" para o mar de Omã, mas que só estará pronto em meados do ano. As alternativas são escassas, pelo que a situação é muito séria

- O impacto de um embargo já está incorporado nos preços?

- O mercado nesta altura está dividido entre dois cenários extremos. Por um lado, a perspectiva de um aumento exponencial do preço por via de um conflito geopolítico. Por outro, existe a preocupação de que uma deterioração das principais economias desenvolvidas atinja as emergentes, provocando uma recessão global e uma quebra na procura. No mercado nova-iorquino aumentaram as opções para comprar petróleo no futuro a 150 e 160 dólares, mas também as opções para o vender a 80.

- Qual seria o impacto de um bloqueio do Estreito de Ormuz para Portugal?

- O impacto pode ser brutal. A nossa factura energética superou os 10 mil milhões de euros em 2011, o equivalente a 5% a 6% do PIB. Se os preços aumentarem para 180 a 200 dólares por barril, terá efeitos desastrosos na nossa factura energética e na economia. Todas as matérias-primas ficarão mais caras, incluindo as alimentares. Haverá pressões inflacionistas e uma quebra de rendimento das famílias e empresas, aprofundando a recessão. Os estudos demonstram que cada aumento de dez dólares no preço por barril representa uma diminuição de 0,5 pontos percentuais no PIB da Zona Euro.



Estrela polar

2012-01-14 12:01:00

Estrela polar

Thomas Adès, o maior compositor britânico, em residência na Gulbenkian

Texto - Jorge Calado

A Gulbenkian Música não só prima por trazer os melhores intérpretes, como consegue atrair os melhores compositores.

O próximo é Thomas Adès (n. 1971), o mais talentoso dos músicos britânicos — como compositor, maestro e pianista — e justamente reconhecido como o digno sucessor de Britten. Foi só no século XX que a Inglaterra, país de dramaturgos, romancistas, poetas e pintores, se começou a afirmar na música. Houvera Purcell no século XVII, acontecera Händel no XVIII, e depois foi (quase) o vazio até à emergência de Elgar, em pleno século XX.

Adès chega a Lisboa para uma residência de duas semanas: dois concertos com a Chamber Orchestra of Europe (a 19 e 22), outro com a Orquestra Gulbenkian (a 27, com repetição a 28), uma conferência (Tom Service) sobre a sua obra (a 16), e a projeção de filmes das suas duas óperas (a 16 e 23). Com ele vem Toby Spence, um cantor com a cultura e a inteligência de Ian Bostridge, mas sem os seus tiques e maneirismos!

A imaginação prodigiosa de Adès faz dele o compositor da imprevisibilidade e violência contemporâneas. A matéria — a um tempo fascinante e repelente — são as suas visões, sonhos e pesadelos (e respetivas catarses). Nada lhe escapa: as miniaturas para piano, as obras de câmara, os concertos, as composições orquestrais em grande escala, as óperas. E só tem 40 anos!

Algumas peças — "Arcadiana" (1998), por exemplo — vêm de Mozart e Schubert; outras, do rock mais exigente. Já foi descrito como uma mistura de Led Zeppelin e Stravinsky (embora o seu músico de estimação seja Chopin, a quem chama o "compositor da instabilidade"). Começou cedo, teenager e estudante universitário em Cambridge, com "5 Eliot Landscapes" (1990), logo seguidas pelo seu Op. 2, a "Chamber Symphony" (1991).

O tema escabroso da primeira ópera, "Powder Hèr Face" (1995), sobre o caso da duquesa de Argyll apanhada a fazer sexo oral a um desconhecido, correu pelos tabloides. "Asyla" (1997), a sua primeira obra de grandes proporções (encomenda de Simon Rattle para a City of Birmingham Symphony Orchestra), mereceu-lhe a Grawemeyer Award em 2000. Foi a primeira peça escolhida por Rattle, à frente dos Berliner Philharmoniker!

Na programação, Adès mede-se com os maiores: Beethoven (dia 22), Berlioz (a 19, 27/28), Sibelius (a 19). A monumental "Asyla" (plural latino de asilo) tanto serve de santuário como de manicómio: grande orquestra, 2 pianistas, celesta e 6 percussionistas!

Dos 4 andamentos — violentamente contrastados — destaca-se o 3º (o único com nome próprio, 'Ecstasio'), "evocando a atmosfera de um nightclub, cheio de gente a dançar e a drogar-se". A intensidade é tal que, quando estava a orquestrá-lo, Adès julgou sofrer um ataque cardíaco e foi, de urgência, para o hospital.

Os andamentos do "Concerto para violino, Op. 24" (2005), subintitulado 'Concentric Paths', dão pelos nomes de 'Rings', 'Paths', 'Rounds'. Jogando com (e subvertendo) as formas e convenções da música clássica, a sua estrutura circular evoca os movimentos cósmicos. Por outro lado, "In Seven Days: Piano Concerto with Moving Image" (2008), sobre a versão hebraica da Criação, resulta de uma colaboração com o cineasta e artista de vídeo, Tal Rosner. Em "Polaris: A Voyage for Orchestra" (2011), uma coencomenda da Gulbenkian, o centro é a Estrela Polar dos navegantes.

O universo sonoro de Adès é a ilha de Próspero, "cheia de ecos e sugestões". Uma ilha plena de ruídos, de sons e árias doces que deliciam, tocadas por uma miríade de instrumentos (como conta Caliban). A sua ópera-prima, "The Tempest" (2004), tem corrido mundo e chegará ao Met na próxima temporada. A próxima ópera, já em elaboração, baseia-se em "O Anjo Exterminador", de Bufíuel; será estreada no Festival de Salzburgo. Adès em Lisboa é um grande acontecimento!

ENCONTRO COM THOMAS ADÈS

Conferência por Tom Service Gulbenkian, Lisboa, segunda, 19h, entrada livre

ADÈS: "POWDER HER FACE"

Filme de Margaret Williams

Segunda, 22h, entrada livre

RETRATO ADÈS I: ADÈS, BERLIOZ, SIBELIUS

Chamber Orchestra of Europe, Adès (d), Spence (t), Josefowicz (v)

Quinta, 21h

RETRATO ADÈS H: BEETHOVEN, ADÈS

Chamber Orchestra of Europe, Adès (d), Hodges (p), Rosner (vídeo)

Dia 22, 19h

ADÈS: "THE TEMPEST"

Filme de Jonathan Haswell

Dia 23, 19h, entrada livre

RETRATO ADÈS III: ADÈS, BERLIOZ

Orquestra Gulbenkian, Adès (d)

Dia 27, 19h; dia 28, 21h



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2012-01-15 12:01:00

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mil visitantes viram a exposição A Perspectiva das Coisas - A Natureza-morta na Europa 1840 - 1955 na Fundação Calouste Gulbenkian, que encerrou há uma semana.



Gulbenkian: Arte contemporânea brasileira em destaque na programação do CAM para 2012

2012-01-14 12:01:00

Gulbenkian: Arte contemporânea brasileira em destaque na programação do CAM para 2012

A arte contemporânea brasileira estará em destaque na programação do CAM ao longo de 2012, a iniciativa foi apresentada em conferência de imprensa, na Gulbenkian

O Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, vai apresentar, em 2012, exposições de Rosângela Rennó e Beatriz Milhazes, duas artistas da mesma geração com linguagens distintas.

A arte contemporânea brasileira estará assim em destaque na programação do CAM ao longo de 2012, ontem apresentada em conferência de imprensa, na Gulbenkian.

De acordo com a diretora do CAM, Isabel Carlos, com estas exposições, a entidade associa-se às celebrações do Ano do Brasil em Portugal.

A exposição "Frutos estranhos" - de 17 de fevereiro a 06 de maio - é a primeira ontológica de Rosângela Rennó, cobrindo vinte anos de trabalho desta artista brasileira, com fotografia, vídeo e instalação.

A exposição de pintura e colagem "Quatro Estações", de Beatriz Milhazes, é uma obra "site-specific", descrita como "uma explosão de cor", realizada propositadamente para a nave do CAM, e que abre ao público na mesma data, mantendo-se até 13 de maio.

Rosângela Rennó "mostra um lado mais escuro da arte brasileira, porque é o resultado de uma reflexão sobre os temas do colonialismo e do racismo" naquele país, indicou Isabel Carlos. Além destas duas artistas, a temporada irá focar-se em grandes nomes da arte do século XX, e dará ainda a oportunidade a curadores portugueses de montarem as suas exposições através do CAM.

De 18 de maio a 01 de julho, o CAM irá apresentar uma exposição inédita em Portugal dedicada ao norteamericano Josef Albers (1888-1976), com pintura sobre papel. De acordo com Isabel Carlos, esta exposição, com curadoria de Hweinz Liesbrock, já apresentada em França, foi considerada uma das melhores do ano pela revista "Beaux Arts".

Paralelamente, com curadoria de Ana Vasconcelos, será apresentada uma exposição intitulada "Roubar com os olhos" com um conjunto de obras do acervo do CAM que ficará em diálogo com a mostra sobre Josef Albers.

Outro dos destaques da programação do CAM para este ano é a exposição de Gerard Byrne, "Imagens ou Sombras" - de 21 de setembro de 2012 até 06 de janeiro de 2013 comas obras mais significativas deste artista irlandês em filmes e fotografias.

O trabalho de Gerard Byrne tem vindo a adquirir relevo no circuito internacional da arte contemporânea através dos filmes e das fotografias em torno das ideias de representação e tempo, da imagem do ator, da literatura e da história.

As obras deste artista exploram as fronteiras entre performance, televisão, teatro e cinema.

Na mesma data, o CAM irá inaugurar a primeira mostra ontológica de Carlos Nogueira, um artista ativo desde o início de 1970. Esta exposição apresentará uma visão abrangente da sua obra, com peças poucas vezes expostas ou, em vários casos, inéditas, em desenho, performance, escultura e escrita.

Haverá ainda uma exposição intitulada "Pequeno-almoço sobre cartolina" - entre 18 de maio e 02 de setembro - a primeira póstuma de Jorge Varanda (1953-2008) com pintura, vídeo e pranchas narrativas.

Também foi incluída na programação uma exposição - de 13 de julho a 21 de outubro - centrada em Alberto de Lacerda (1928-2007) com vários núcleos do seu espólio para mostrar esta personalidade que manteve várias relações literárias e artísticas no trabalho como poeta e professor.

Até 20 de janeiro, o CAM está a exibir um ciclo de filmes experimentais que exploram em particular a relação com o tempo, intitulado "Task Performance", criados por Robert Morris, Dennis Oppenheim e Roman Signer.



A delinquência juvenil nem sempre é uma fatalidade

2012-01-16 12:01:00

A delinquência juvenil nem sempre é uma fatalidade

Reinserção pela Arte é um livro que nasceu de muitas mãos e que resulta de um projeto que "viveu" em três centros educativos de Lisboa, de 2005 a 2008. Jorge Barreto Xavier coordenou o trabalho que envolveu jovens dos 13 aos 18 anos. A obra foi apresentada na quarta-feira.

Na introdução, há uma frase que faz pensar. "A delinquência juvenil não é uma fatalidade", afirma o professor Jorge Barreto Xavier, coordenador de um projeto que deu origem ao livro Reinserção pela Arte que foi apresentado na quarta-feira no auditório 3 da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, por Laborinho Lúcio e Viriato Soromenho-Marques. O docente explica o sentido da frase ao EDUCARE.PT.

"Vivemos numa sociedade em que nos habituámos a aceitar certas coisas: a pobreza, a criminalidade, a delinquência juvenil. Quando digo aceitar, não digo que haja resignação perante estas fragilidades sociais - mas digo que acreditamos que todas elas hão de sempre existir, em maior ou menor grau." E continua: "É nesse sentido que a delinquência juvenil pode ser encarada como uma fatalidade. Creio que é necessário acreditar na efetiva erradicação da delinquência juvenil. É preciso trabalhar com objetivos máximos e não mínimos ou medianos.

Depois, procuramos aproximar-nos o mais possível da concretização destes objetivos, que não são para cumprir num ano nem sequer numa geração - mas se não forem estabelecidos com clareza, não podemos trabalhar em função deles."

O livro decalca um projeto experimental desenvolvido no Centro Educativo da Belavista na Graça, no Centro Educativo Navarro de Paiva em Benfica, e no Centro Educativo Padre António de Oliveira em Caxias, todos em Lisboa, entre 2005 e 2008. Em cada um desses anos, cerca de 30 jovens, com idades entre os 13 e os 18 anos, distribuídos pelos três centros educativos, envolveram-se em atividades artísticas nas áreas de teatro, música, dança, vídeo, fotografia, escrita, cinema, e design de espaços. O bailarino e coreógrafo Rui Horta, o ator e encenador Fernando Mora Ramos e a coreógrafa Madalena Victorino participaram nesse processo que pretendeu estimular a criatividade dos adolescentes internados nos centros educativos, que vestiram a pele de coautores, assistentes e colaboradores nesse trabalho artístico.

O projeto, que contou com o apoio da Fundação Gulbenkian, foi a adaptação de um programa do Reino Unido junto de jovens considerados de risco e sujeitos a medidas tutelares educativas. O livro problematiza, na primeira parte, a relação entre a arte e a reinserção social, e mostra como a criação artística é uma ferramenta na descoberta de competências que abra portas à reinserção de jovens problemáticos.

"As artes têm um discurso social autónomo, correspondem a uma presença social que tem as suas diferenças específicas em relação a outras áreas de atividade, e o seu trabalho é de grande valor na construção pessoal e coletiva. Se o ‘discurso artístico' tiver validade ‘construtiva' em ambiente controlado, como é o caso dos centros educativos, é válido pensar (com os devidos cuidados) que se pode extrapolar essa validade para o todo social", adianta Jorge Barreto Xavier, licenciado em Direito, professor auxiliar convidado do ISCTE e investigador associado do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, que coordenou o projeto e o livro.

Os intervenientes neste processo consideram que valeu a pena a intervenção, que teve como pano de fundo a reinserção social, e esperam que as recomendações e propostas feitas no livro sejam ouvidas. Jorge Barreto Xavier adianta alguns dos caminhos sugeridos na obra. "Tem de haver uma maior correlação entre o sistema de segurança social e o sistema de justiça - as articulações entre as políticas para crianças e jovens em risco, as políticas gerais na área da exclusão social e pobreza, as políticas de acolhimento de imigrantes e as políticas para a delinquência juvenil têm de ser articuladas". "Por vezes, com a ‘departamentalização' dos serviços públicos, funcionalmente necessária, perde-se o horizonte da prioridade ao resultado das políticas públicas, muitas vezes com muito maior necessidade de conjugação e articulação", acrescenta.

Os agentes ativos da sociedade civil não podem ficar parados. Por isso, no caso da delinquência juvenil, defende-se que é crucial a articulação entre a prevenção, o acompanhamento das medidas tutelares educativas e o acompanhamento da integração dos jovens. Segundo Jorge Barreto Xavier, este acompanhamento antes, durante e depois das medidas aplicadas, com o adequado envolvimento da justiça, segurança social e sociedade civil, é o caminho mais adequado para alcançar menores taxas de delinquência, menores taxas de reincidência e uma melhor inserção na sociedade. "Não se trata de uma questão financeira, mas de conjugação de vontades", refere.

As escolas estarão preparadas para lidar com a delinquência dos jovens? "Os professores ou, pelo menos, muitos professores, têm de lidar todos os dias com adolescentes e jovens com comportamentos desviantes, alguns dos quais têm ou terão comportamentos delinquentes". A questão, sustenta, é saber se os docentes estão ou não preparados para trabalhar com essas situações mais complicadas, se as escolas estão ou não organizadas para enfrentar esses casos e se há parâmetros nacionais para lidar com o assunto. "Diria que há ainda muito para fazer neste domínio, independentemente de, a nível individual, haver professores sensibilizados", comenta.

Resolver casos de abandono e de insucesso escolar continua a ser uma árdua tarefa. O coordenador do livro Reinserção pela Arte diz que é necessário definir que taxas de abandono e de insucesso são admissíveis em 2012, 2014, 2016, e estabelecer metas para que os objetivos se concretizem. "É preciso definir com clareza o objetivo final: não deixar nenhuma criança e jovem para trás." Até porque, lembra, "as últimas décadas, através dos maus resultados, têm demonstrado a desadequação dos meios para resolver os casos de abandono e insucesso escolar".


Teatro de Almada acolhe 13 estreias

2012-01-14 12:01:00

Teatro de Almada acolhe 13 estreias

Programação

O Teatro Municipal de Almada (TMA) acolhe neste ano mais oito espectáculos do que em 2011e ainda apresenta 13 estreias. A contas com cortes de financiamento, a companhia sustenta que foi a a sua solidez e coesão que permitiram alcançar tais objectivos.

Em comunicado, a estrutura dirigida por Joaquim Benite refere que, "além das seis produções por si apresentadas (cinco peças de teatro e uma ópera), o TMA acolherá, ainda, durante o ano, 44 produções de teatro, dança e música

O grande destaque vai para o espectáculo do Berliner Ensemble, "Simplesmente complicado", de Thomas Bemhard, com direcção de Claus Peymannl, encenador que se apresenta pela primeira vez em Portugal.

Para Joaquim Benite, não obstante 2011 ter sido dos anos mais difíceis para a companhia que dirige, 'foi possível chegar ao fim em condições de apresentar uma excelente programação para a presente temporada" e isto "graças à solidez da estrutura e à sua coesão".

Uma das novidades da programação, cuja apresentação oficial terá lugar hoje, à noite, é a criação do ciclo "Sala Experimental", entre Abril e Maio, no qual dez grupos de jovens criadores estrearão outros tantos espectáculos de teatro, dança e performance.

Neste ano, o TMA manterá as habituais parcerias com a Orquestra Gulbenkian, o Teatro Nacional de São João, a Companhia Nacional de Bailado, o Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, reforçando ainda a colaboração com a rede "Acto 5" (Theatro Circo de Braga, Cine- Teatro Constantino Nery, de Matosinhos, e Teatro Aveirense).

ANA VITÓRIA



Centro de Arte Moderna mostra nomes do Brasil

2012-01-13 12:01:00

EXPOSIÇÕES

Centro de Arte Moderna mostra nomes do Brasil

O Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, vai apresentar este ano exposições de Rosângela Rennó e Beatriz Milhazes. Segundo a diretora Isabel Carlos (na foto), com estas exposições o CAM associa-se às celebrações do Ano do Brasil em Portugal. A exposição "Frutos Estranhos" - de 17 de fevereiro a 6 de maio - é a primeira ontológica de Rosângela Rennó, cobrindo 20 anos de trabalho desta artista brasileira, com fotografia, vídeo e instalação.

A exposição de pintura e colagem "Quatro Estações", de Beatriz Milhazes, é uma obra site-specific, descrita como "uma explosão de cor", realizada propositadamente para a nave do CAM, e que abre ao público na mesma data, mantendo-se até 13 de maio. De 18 de maio a 1 de julho, o CAM irá apresentar uma exposição dedicada ao norte-americano Josef Albers (1888-1976). Segue-se a exposição de Gerard Byrne, Imagens ou Sombras - de 21 de setembro de 2012 até 6 de janeiro de 2013. Na mesma data, o CAM irá inaugurar a primeira mostra ontológica de Carlos Nogueira.

O orçamento para a programação e outras atividades do CAM vai manter-se ao nível do ano passado, em cerca de 800 mil euros, mas será afetado pelo aumento do IVA. "Não vamos ter cortes no orçamento, mas o aumento do IVA para 23 por cento vai afetar as nossas atividades porque tudo encarece", disse Isabel Carlos, à Lusa. "Fazer catálogos é mais caro, comprar obras de arte é mais caro, as viagens dos artistas, etc", exemplicou.



A crise é real, mas não mata a programação

2012-01-13 12:01:00

Centro de Arte Moderna da Gulbenkian

A crise é real, mas não mata a programação

Primeira exposição portuguesa de Josef Albers e o assinalar do ano Portugal-Brasil

Mário Lopes

A crise foi, naturalmente, referida ao longo da apresentação, na manhã de ontem, de programação para 2012 do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Em 2011, o CAM recebeu menos 30 mil visitantes do que no ano anterior, revelou a directora Isabel Carlos. Para o decréscimo de 118.810 para 88 mil entradas contribuíram o encerramento do centro durante um mês, para montagem da exposição da colombiana Doris Salcedo, mas também a quebra de 30% nas visitas escolares.

"As câmaras municipais não têm dinheiro para pagar o transporte dos alunos", justifica a directora, que, ainda assim, registou com agrado o aumento das entradas de estudantes de Belas-Artes.

Crise, portanto. Mas a crise não elimina a ambição. A de, por exemplo, mostrar pela primeira vez em Portugal a obra do pintor germano-americano Josef Albers, "um dos grandes pilares da arte do século XX", e pô-la em relação, recorrendo à colecção do CAM, com a produção portuguesa sua contemporânea. A de acolher uma retrospectiva do artista conceptual espanhol Antoni Muntadas (Entre/ Between), ou de assinalar este que é o Ano Portugal-Brasil, celebrado nos dois lados do Atlântico, com exposições de Beatriz Milhazes (Quatro Estações) e de Rosângela Rennó (Frutos Estranhos).

O olhar para o exterior, como é desejo manifesto da directora do CAM, estará em constante diálogo com a produção artística nacional: a primeira exposição póstuma de Jorge Varanda, uma "biografia comentada" de Alberto de Lacerda, uma antologia de Carlos Nogueira ou A mata B, a exposição que o colectivo A kills B, fundado em 2007 por Hugo Canoilas e João Ferro Martins, preparou.

Depois de um ano que encerrou com Plegaria Muda (Oração Silenciosa, a primeira exposição portuguesa da colombiana Doris Salcedo (destacada na revista Art Forum como uma das melhores de 2011), este ano iniciou-se com task performance (até dia 20), um ciclo de filmes e vídeos de Robert Morris, Dennis Oppenheim e Roman Signer.

Como se lê no texto de apresentação, estes artistas representavam, na década de 1960 e 1970, a vontade de substituir - em sintonia com a "nova dança" de coreógrafas como Yvonne Rainer, Lucinda Childs e Trisha Brown "qualquer interpretação ilusionista pela experiência directa do tempo real, o tempo da experiência das nossas acções comuns".

Se 2011 foi no CAM aquele que Isabel Carlos classificou como "o ano da Escandinávia", fruto das parcerias estabelecidas com instituições daquela região, este será "o ano da Suíça". Quatro Estações, de Beatriz Milhazes (17 de Fevereiro a 13 de Maio), nasce da colaboração com a Fundação Beyeler de Basileia, e Frutos Estranhos, de Rosângela Rennó (de 17 de Fevereiro a 6 de Maio) resulta de uma parceria com o Fotomuseum Winterthur de Zurique.

A 18 de Maio chegará ao CAM aquela que a revista francesa Beaux Arts considerou uma das melhores exposições de 2011 em França. Pintura sobre papel - Josef Albers América, que estará patente até 1 de Julho, apresenta uma obra que ficou célebre pelas Homenagens ao Quadrado, pintadas entre 1950 e 1976, através de 80 estudos pouco conhecidos do artista nascido na Alemanha em 1888.

Entre/Between, de Antoni Muntadas, um dos primeiros a reflectir a problemática das relações entre a arte, os media e a vida, chega a 7 de Junho, vindo do Rainha Sofia, em Madrid. Do Irish Museum virá, a 21 de Setembro, Imagens ou Sombras, do irlandês Gerard Byrne.



Pessoa chega à Gulbenkian em Fevereiro...

2012-01-13 12:01:00

Pessoa chega à Gulbenkian em Fevereiro...

Já se sabia que a exposição "Fernando Pessoa - Plural como o universo" que esteve no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, onde foi vista por mais de 250 mil pessoas, iria viajar para Lisboa em 2012 à boleia do ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal. Agora, sabe-se também que vai ser inaugurada a 9 de Fevereiro na Fundação Calouste Gulbenkian, ali ficando até 30 de Abril. Resultado de uma colaboração entre a Gulbenkian, a Fundação Roberto Marinho e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, a exposição tem como leitmotiv "a viagem marítima" e é comissariada por Richard Zenith, especialista na obra do poeta, juntamente com o académico brasileiro Carlos Felipe Moisés.

"Fernando Pessoa - Plural como o universo" é uma exposição interactiva: pretende-se que o visitante tome parte e seja cúmplice, nem que seja só simbolicamente, de um passeio pela vida e pela obra do escritor e dos seus heterónimos, através de textos, imagens e vídeos. Os curadores Richard Zenith e Carlos Felipe Moisés e o cenógrafo Hélio Eichbauer mostraram interesse em que haja em Lisboa uma "maior riqueza de acervo". "Recorrendo à Casa Fernando Pessoa, à Fundação Gulbenkian e à Biblioteca Nacional será possível enriquecer a exposição com mais obras de arte, livros e eventualmente manuscritos", lembrou há tempos ao PÚBLICO Inês Pedrosa, a directora da Casa Fernando Pessoa. Além do catálogo da exposição, será lançado um livro intitulado "Fernando Pessoa: o editor, o escritor e os seus leitores", com um conjunto de 50 depoimentos pedidos a igual número de personalidades portuguesas e estrangeiras que dão conta da sua relação com a obra do poeta.

... e à Porto Editora em Abril

É em Abril que a Porto Editora vai lançar a obra "Fernando Pessoa - Uma Quase Autobiografia", do advogado e ex-ministro da Justiça brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho, cujo fascínio pelo poeta português o levou a inventariar tudo o que sobre ele foi escrito (mais de seis mil livros), a coleccionar primeiras edições e objectos e a afirmar que, em vez de 55, são 127 os seus heterónimos. "Não é uma obra académica, mas é uma obra de fundo sobre Pessoa", disse a editora Cláudia Gomes na apresentação do programa editorial para este ano. O autor deverá vir a Portugal em Fevereiro para a inauguração da exposição "Fernando Pessoa - Plural como o universo" (ver texto ao lado). Carlos Fuentes é outra aposta do grupo Porto Editora, que inicia em Fevereiro a publicação da obra do mexicano com o romance "Adão no Éden", "um retrato muito duro da realidade mexicana do narcotráfico", diz o editor Manuel Alberto Valente. Fuentes forma, com Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa, "o trio de ouro do 'boom' da literatura latinoamericana".

Na Sextante, a aposta é em "A Investigação", do escritor francês Philippe Claudel, "uma parábola sobre o mundo em que vivemos que nos condena e destrói" inspirada na série de suicídios na France Telecom, descreveu o editor João Rodrigues. O autor virá apresentar o romance a Portugal, no festival LeV - Literatura em Viagem, que se realiza em Abril em Matosinhos. "Baku - Últimos Dias", um relato de viagem do francês Olivier Rolin, sai em Fevereiro. "É uma admirável reflexão sobre a criação", nota o editor da Sextante. A editora lança no encontro literário Correntes d'Escritas, em Fevereiro, na presença do autor, "Cinzas de Abril", o mais recente romance do espanhol Manuel Moya, que aborda a revolução de 1974 com um distanciamento que os portugueses não têm e abordando "questões difíceis" ("duas das personagens principais são inspectores da PIDE", sublinha João o Rodrigues).

O romance "A Grande Arte", considerado a obra-prima do brasileiro Rubem Fonseca, é outro dos destaques da Sextante, a publicar este mês. Fonseca devia ter vindo às Correntes d'Escritas s no ano passado, mas acabou por não conseguir. Talvez seja desta.



Retratos de Thomas Adès

2012-01-13 12:01:00

Clássica

Retratos de Thomas Adès

Uma das revelações da música contemporânea da última década em residência na Gulbenkian a partir de segunda-feira.

Cristina Fernandes

Retrato Adès I

Direcção Musical de Thomas Adès.

Com Chamber Orchestra of Europe, Toby Spence (tenor), Leila Josefowicz (violino).

Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian - Grande Auditório. Av. Berna, 45A. 5ª, 19, às 21h. Tel.: 217823000.

Durante as próximas semanas (entre os dias 16 e 28 deste mês), o compositor, pianista e maestro britânico Thomas Adès (n. 1971) estará em destaque na temporada Gulbenkian. Será possível ouvir algumas das suas principais obras interpretadas pela Orquestra de Câmara da Europa (dias 19 e 22) e pela Orquestra Gulbenkian (dias 27 e 28), com direcção do próprio Adès, e assistir a transmissões em vídeo das óperas "Powder Her Face" e "The Tempest".

O ciclo inicia-se na segunda-feira, 16, às 19h, com um encontro com o compositor, conduzido por Tom Service (crítico do jornal "The Guardian"); uma hora depois será projectada a ópera "Powder Her Face" (1995), com realização de Gerald Fox para o Channel 4, cujo libreto se centra no escândalo sexual que teve por alvo Margaret, duquesa de Argyll, por alturas do seu divórcio, em 1963.

Os melómanos portugueses poderão ainda assistir, no dia 23, à exibição em vídeo da ópera que consagrou definitivamente Thomas Adès como uma das mais relevantes figuras da música do século XXI: "The Tempest", baseada na obra homónima de Shakespeare e estreada com grande sucesso em 2004 na Royal Opera House de Londres.

Quanto ao primeiro dos três "Retratos" musicais de Adès ao vivo, será preenchido com os "Three Studies after Couperin" e o Concerto para Violino, em conjunto com "Les nuits d'été", op. 7, de Berlioz, e a Sinfonia nº6, op. 104, de Sibelius (quinta, às 21h).

Thomas Adès começou a despertar a atenção do meio musical depois de o maestro Simon Rattle lhe ter encomendado, em 1997, a peça orquestral "Asyla". Rattle fez ainda a estreia de "Tevot", sendo um dos principais entusiastas da carreira deste jovem músico multifacetado que já foi considerado como o mais entusiasmante compositor das ilhas britânicas depois de Purcell e Britten.

Com uma linguagem eclética, Adès combina na sua obra a herança histórica da música erudita, vestígios de correntes da música popular e tendências contemporâneas. Da sua atitude perante a composição é bem ilustrativo o depoimento que consta de uma entrevista ao "Guardian":

"Quando escrevi 'Asyla' pensava que compor música era como sintonizar um rádio. Era como se a música já estivesse no aparelho e bastaria sintonizar o meu cérebro para a encontrar. Agora penso que compor é mais como pilotar um avião sabemosque a aterragem tem de ser segura, pelo que temos de estar atentos a todos os meios de controle e à paisagem total."



Temporada da Gulbenkian com 12 exposições

2012-01-13 12:01:00

Temporada da Gulbenkian com 12 exposições

Programação

O Centro de Arte Moderna (C AM) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, programou para a temporada deste ano um ciclo de filmes experimentais e uma dúzia de exposições, em que se inclui a primeira antológica de Carlos Nogueira e uma nova montagem das obras da sua colecção permanente,

A destacar na programação, ontem apresentada pela directora da instituição, Isabel Carlos, surge o ciclo de filmes dos artistas Robert Morris, Dennis Oppenheim e Roman Signer e as exposições de Rosângela Rennó e Beatriz Milhazes, duas artistas brasileiras da mesma geração, mas com linguagens distintas. Da primeira, poder-se-á ver a primeira mostra antológica," Frutos estranhos", e da segunda "Quatro estações", uma obra especificamente concebida para a nave do CAM. Ambas as exposições são inauguradas a 17 de Fevereiro.

Em Maio, chega a primeira exposição em Portugal de Josef Albers, considerado um dos pilares da arte do século XX na Europa e nos Estados Unidos. Segue-se, em Junho, uma retrospectiva do artista espanhol Antoni Muntadas. Em Setembro, o grande destaque incide naquela que será a primeira exposição antológica do artista português Carlos Nogueira. Por outro lado, a directora do CAM anunciou que a instituição recebeu menos 30 mil visitantes em 2011 relativamente a igual período do ano anterior.

A justificação para a quebra, de acordo com Isabel Carlos, reside no facto de se terem realizado menos visitas escolares devido à actual situação financeira das autarquias, que não têm verba para pagarem o respectivo transporte.

ANA VITÓRIA



GULBENKIAN EM PARIS

2012-01-12 12:01:00

GULBENKIAN EM PARIS

Director assume

João Caraça assumiu anteontem a direcção do Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris. Na cerimónia estiveram, entre muitos outros, a actriz Maria de Medeiros e o ensaísta Eduardo Lourenço.



'Tannhäuser' hoje na Gulbenkian

2012-01-12 12:01:00

'Tannhäuser' hoje na Gulbenkian

MELANIE DIENER

SOPRANO

No âmbito do ciclo Wagner+ da sua temporada de música, a Fundação Gulbenkian apresenta hoje (a partir das 19.00) e no próximo domingo (16.00) duas récitas em versão de concerto da ópera Tannhäuser, de Richard Wagner (1813-1883), sob a direção de Bertrand de Billy. O elenco alinha comprovados intérpretes wagnerianos, como o baixo Falk Struckmann (Hermann), o tenor Johan Botha (Tannhäuser) ou o soprano Melanie Diener (Elisabeth).



Versão concertante de "Tannhauser" na Gulbenkian

2012-01-11 12:01:00

Ópera é apresentada amanhã

Versão concertante de "Tannhauser" na Gulbenkian

A ópera "Tannhauser", de Richard Wagner, é apresentada amanhã, em versão concerto, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, pelo coro e orquestra Gulbenkian, sob a direção do maestro Bertrand de Billy. A ópera que Wagner considerou incompleta e que se estreou em Dresden, na Alemanha, em 1845, é apresentada quinta-feira às 19h00 e, no domingo, às 16h00.

No palco do Grande Auditório da Gulbenkian serão solistas, nos principais papéis, o tenor Johan Botha, na personagem Tannhäuser, e as sopranos Melanie Diener, como Elisabeth, e Manuela Uhl, como Vénus. Os outros solistas são os barítonos Job Tomé no papel de Wolfram, e Falk Struck em Hermann, os tenores Charles Robert Reid (Wraltzer) e Dietmar Kerscbaum (Heinrich) e a soprano Ana Maria Pinto (jovem pastora).

A apresentação desta versão insere-se no ciclo "Wagner +" que a Fundação iniciou na passada quinta-feira, e que inclui, entre outras iniciativas, a exibição do filme "Parsifal", de Hans Jürgen Syberberg, na próxima sexta-feira, às 19h00.



Gulbenkian Paris vai acolher Paula Rego

2012-01-11 12:01:00

Boa notícia do dia

Gulbenkian Paris vai acolher Paula Rego

A Fundação Calouste Gulbenkian em Paris inaugura no próximo dia 26 a primeira exposição "representativa" da obra da pintora Paula Rego, em França, com trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2009, de "A família" à "Mulher cão". A exposição, composta por cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos, não é retrospetiva e foge à ordem cronológica da criação das obras, disse à agência Lusa Helena de Freitas, diretora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias, co-organizadora da iniciativa. "Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", afirmou.

Os trabalhos vão ficar expostos até ao dia 1 de abril. Helena de Freitas considerou que "esta vai ser uma grande oportunidade para Paris olhar para Paula Rego e compreender a sua obra".



Natureza-morta levou 97 mil pessoas à Gulbenkian

2012-01-10 12:01:00

Natureza-morta levou 97 mil pessoas à Gulbenkian

Cláudia Carvalho

A exposição A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa. 1840 - 1955, que encerrou no domingo Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, recebeu durante os três meses 97 mil visitantes. A exposição terminou no fim-de-semana com o prolongamento do horário até às 23h e entradas gratuitas - até aqui, a mostra estava aberta às 20h e o bilhete custava 5 euros e o resultado foram longas horas de espera para entrar na exposição. Produzida pelo Museu Gulbenkian e com curadoria de Neil Cox, professor da Universidade de Essex e especialista em arte francesa do século XX, a mostra reuniu obras de arte de artistas como Picasso, Dalí, Cézanne, Renoir, Van Gogh, Monet, Manet, Léger, Duchamp, Braque, Magritte e Matisse, Amadeo e Vieira da Silva, entre muitos outros mestres da pintura dos séculos XIX e XX.

Apesar de não ter alcançado a marca dos 100 mil visitantes, a exposição, que esteve aberta ao público entre 21 de Outubro e 8 de Janeiro, tornou-se numa das mais visitadas de sempre na Gulbenkian, atrás da mostra sobre Amadeo de Souza-Cardoso Diálogo de Vanguardas (2007), que somou 100 mil visitantes, e A evolução de Darwin (2009), detentora do recorde de visitantes, com 161 mil.

Esta foi a segunda parte da exposição, que, devido à sua dimensão, foi dividida em duas partes, tendo a primeira sido apresentada no Museu Gulbenkian entre Fevereiro e Maio de 2010, com um conjunto de obrasprimas de mestres europeus dos séculos XVII e XVIII.



Sobe e desce

2012-01-10 12:01:00

Sobe e desce

Lionel Messi e Pep Guardiola

Não houve surpresas na entrega dos troféus Bola de Ouro: Guardiola foi considerado o treinador do ano, Messi é o melhor jogador do mundo pelo terceiro ano consecutivo, igualando Platini. Dominou o Barcelona, mas Cristiano Ronaldo representou bem Portugal, ao ser o único português a integrar o "onze do "ano" da France Football. (Págs. 24/25)

João Serra e Rui Vilar

Rui Vilar despediu-se da Gulkbenkian com um sucesso: mais de 97 mil pessoas viram a exposição Natureza-morta, que assim se torna uma das mais visitadas de sempre na instituição. Em Guimarães, a Capital Europeia da Cultura tornou os espectáculos acessíveis para todos: o bilhete mais caro não excede os 10 euros. (Pág. 10)

Hélder Rodrigues e Ruben Faria

Os dois pilotos portugueses ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares na etapa de ontem do Dakar, na competição das motos. Um bom e incomum resultado que veio, sobretudo, ajudar Hélder Rodrigues a reforçar o terceiro lugar na classificação desta duríssima prova de todo-o-terreno. (Pág. 27)

Angela Merkel e Nicolas Sarkozy

No dia em que a Alemanha fez uma emissão de dívida em que os investidores aceitaram receber menos do que emprestaram (?), a chanceler e o líder francês voltaram a acentuar a pressão sobre uma Grécia cada vez mais sufocada para que acelere as reformas de modo a que seja viabilizado um novo pacote de ajuda. Nada de novo no discurso, portanto. (Pág. 12)



Pintora com nova exposição em Paris

2012-01-10 12:01:00

Pintora com nova exposição em Paris

PAULA REGO - ARTISTA

É inaugurada no próximo dia 26 na delegação de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian uma nova exposição da artista Paula Rego, reunindo um conjunto de trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2010. Entre as várias obras que estarão em exposição até ao dia 1 de abril contam-se as séries sobre o Aborto (Untitled), de 1998, ou a Mulher Cão, de 1994.

A exposição tem curadoria de Helena de Freitas, diretora da Casa das Histórias/Paula Rego.



EM PARIS - PAULA REGO

2012-01-10 12:01:00

EM PARIS - PAULA REGO

Inaugura no dia 26, em Paris, uma exposição de Paula Rego, parceria entre a Gulbenkian e a Casa das Histórias. Fica na delegação da Gulbenkian da capital francesa até 1 de Abril



Gulbenkian Paris vai acolher exposição de Paula Rego até Abril

2012-01-10 12:01:00

Gulbenkian Paris vai acolher exposição de Paula Rego até Abril

A Fundação Calouste Gulbenkian em Paris inaugura no dia 26 a primeira exposição "representativa" da obra da pintora Paula Rego, em França, com trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2009, de "A família" à "Mulher cão".

A exposição, composta por cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos, não é retrospetiva e foge à ordem cronológica da criação das obras, disse à agência Lusa Helena de Freitas, diretora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias, co-organizadora da iniciativa.

"Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", afirmou.

Os trabalhos vão ficar expostos na nova sede da Fundação, em França, até ao dia 01 de abril. Helena de Freitas considerou que "esta vai ser uma grande oportunidade para Paris olhar para Paula Rego e compreender a sua obra: "É uma exposição forte, a que ninguém poderá ficar indiferente. O espaço não é grande e as obras são densas, fortes, bonitas", disse.

O percurso começa com a obra "A família" (1988), que desenha uma mulher, mãe e duas filhas, na tentativa de reanimarem "a todo o custo" o marido, pai. A diretora explica que esse trabalho, feito depois de 1986, ano que os críticos apontam como o da "fratura mais evidente" no trabalho da autora, depois da morte do seu marido, Victor Willing, "inicia a alteração da sensação de representação plástica de Paula Rego".

Essa "mudança radical" é também ilustrada na série "A menina e o cão", construída a partir dessa data, que, explicou Helena de Freitas, "exprime, de forma alegórica, a fase final da doença do seu marido, transpondo, na representação das duas figuras, a humana e a animal, uma coreografia de gestos quotidianos de dependência física e de violência psicológica".

"É uma exposição que, de alguma forma, entra no campo das emoções. Todo o potencial emocional está muito presente", acrescentou.

Um pilar central destes "núcleos temáticos e séries" que compõem a exposição é o "Anjo" (1998), a mulher que segura com uma mão a espada, com a outra uma esponja, "os símbolos da paixão". Helena de Freitas considera a obra "fundamental" porque "ela transporta os símbolos do sofrimento da paixão" e sublinha a "dualidade, muito importante no trabalho da autora".

O percurso termina -- "ou pode começar" -- com a "Mulher cão" (1994), "uma série muito forte, que também tem que ver com a paixão e com relações emocionais e que expõe o lado animal da mulher na relação com o amor".

Na verdade, a diretora encontra antes um fim n'"O Pillowman" (2004), "obra poderosíssima, muito complexa, que incorpora já a questão dos modelos e muitas memórias de Portugal".

Antes da abertura da exposição ao público, Paula Rego dará uma conferência de imprensa, que não tem ainda data agendada.


Gulbenkian Paris acolhe exposição de Paula Rego até Abril

2012-01-10 12:01:00

Gulbenkian Paris acolhe exposição de Paula Rego até Abril

A Fundação Calouste Gulbenkian em Paris inaugura no dia 26 a primeira exposição «representativa» da obra da pintora Paula Rego, em França, com trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2009, de «A família» à «Mulher cão».

A exposição, composta por cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos, não é retrospetiva e foge à ordem cronológica da criação das obras, disse à agência Lusa Helena de Freitas, diretora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias, co-organizadora da iniciativa.

«Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade», afirmou.

Os trabalhos vão ficar expostos na nova sede da Fundação, em França, até ao dia 01 de abril. Helena de Freitas considerou que esta vai ser uma grande oportunidade para Paris olhar para Paula Rego e compreender a sua obra: «É uma exposição forte, a que ninguém poderá ficar indiferente. O espaço não é grande e as obras são densas, fortes, bonitas», disse.

O percurso começa com a obra «A família» (1988), que desenha uma mulher, mãe e duas filhas, na tentativa de reanimarem «a todo o custo» o marido, pai. A diretora explica que esse trabalho, feito depois de 1986, ano que os críticos apontam como o da «fratura mais evidente» no trabalho da autora, depois da morte do seu marido, Victor Willing, «inicia a alteração da sensação de representação plástica de Paula Rego».

Essa «mudança radical» é também ilustrada na série «A menina e o cão», construída a partir dessa data, que, explicou Helena de Freitas, «exprime, de forma alegórica, a fase final da doença do seu marido, transpondo, na representação das duas figuras, a humana e a animal, uma coreografia de gestos quotidianos de dependência física e de violência psicológica».

«É uma exposição que, de alguma forma, entra no campo das emoções. Todo o potencial emocional está muito presente», acrescentou.

Um pilar central destes «núcleos temáticos e séries» que compõem a exposição é o «Anjo» (1998), a mulher que segura com uma mão a espada, com a outra uma esponja, «os símbolos da paixão». Helena de Freitas considera a obra «fundamental» porque «ela transporta os símbolos do sofrimento da paixão» e sublinha a «dualidade, muito importante no trabalho da autora».

O percurso termina -- «ou pode começar» -- com a «Mulher cão» (1994), «uma série muito forte, que também tem que ver com a paixão e com relações emocionais e que expõe o lado animal da mulher na relação com o amor».

Na verdade, a diretora encontra antes um fim n´«O Pillowman» (2004), «obra poderosíssima, muito complexa, que incorpora já a questão dos modelos e muitas memórias de Portugal».

Antes da abertura da exposição ao público, Paula Rego dará uma conferência de imprensa, que não tem ainda data agendada.

Diário Digital / Lusa


Gulbenkian Paris vai acolher exposição de Paula Rego até Abril

2012-01-10 12:01:00

Gulbenkian Paris vai acolher exposição de Paula Rego até Abril

A Fundação Calouste Gulbenkian em Paris inaugura no dia 26 a primeira exposição "representativa" da obra da pintora Paula Rego, em França, com trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2009, de "A família" à "Mulher cão".

A exposição, composta por cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos, não é retrospectiva e foge à ordem cronológica da criação das obras, disse à agência Lusa Helena de Freitas, directora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias, co-organizadora da iniciativa.

"Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", afirmou.

Os trabalhos vão ficar expostos na nova sede da Fundação, em França, até ao dia 01 de Abril. Helena de Freitas considerou que "esta vai ser uma grande oportunidade para Paris olhar para Paula Rego e compreender a sua obra: "É uma exposição forte, a que ninguém poderá ficar indiferente. O espaço não é grande e as obras são densas, fortes, bonitas", disse.

O percurso começa com a obra "A família" (1988), que desenha uma mulher, mãe e duas filhas, na tentativa de reanimarem "a todo o custo" o marido, pai. A directora explica que esse trabalho, feito depois de 1986, ano que os críticos apontam como o da "fractura mais evidente" no trabalho da autora, depois da morte do seu marido, Victor Willing, "inicia a alteração da sensação de representação plástica de Paula Rego".

Essa "mudança radical" é também ilustrada na série "A menina e o cão", construída a partir dessa data, que, explicou Helena de Freitas, "exprime, de forma alegórica, a fase final da doença do seu marido, transpondo, na representação das duas figuras, a humana e a animal, uma coreografia de gestos quotidianos de dependência física e de violência psicológica".

"É uma exposição que, de alguma forma, entra no campo das emoções. Todo o potencial emocional está muito presente", acrescentou.

Lusa/AO online

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